O sol dourado do início da tarde de domingo banhava o jardim planejado da mansão Salvattore, filtrando-se pelas copas das árvores e arrancando faíscas de luz da água cristalina da piscina. O clima era de um dia perfeito. O almoço na varanda havia sido uma sucessão impecável de pratos sofisticados, risadas soltas e conversas descontraídas que ecoavam pelo mármore claro da propriedade.
No entanto, o verdadeiro centro daquela tarde tinha apenas seis meses de vida. O pequeno Henrico, um bebê bochechudo de olhos curiosos, passava de colo em colo como um troféu de pura fofura. Ele balbuciava sons desconexos e distribuía sorrisos banguelas tão genuínos que eram capazes de derreter a postura do mais rígido dos homens. Enzo, que fizera questão de dirigir até ali para acompanhar a namorada, Antonella, e a amiga.
Os dois homens trocaram um olhar cúmplice e, sem precisar de palavras, retiraram-se em direção ao escritório de carvalho escuro da mansão, prontos para alinhar algumas pendências burocráticas.
A saída dos homens foi a deixa perfeita para o "clube das mulheres" se apossar do imenso jardim. Zoe acomodou-se confortavelmente em uma das espreguiçadeiras estofadas, ajeitando o pequeno Henrico contra o peito. Logo em frente, Juliana e Antonella puxaram duas poltronas de vime, sentando-se tão próximas que suas frentes quase se tocavam. Os olhos das duas brilhavam com uma adoração indisfarçável pelo bebê.
Mais atrás, Laura, a mãe de Zoe, acompanhava o grupo com um sorriso terno nos lábios. Ela ajeitava uma bandeja de prata com chá de jasmim sobre a mesa de centro, observando com profunda gratidão a cumplicidade daquelas três jovens mulheres. Zoe ajustou o filho nos braços e disse:
— Meninas, vocês não têm ideia de como o Henrico estava com saudade das dindas. Olha só como ele fica agitado! Ele simplesmente ama ser paparicado por vocês. E eu... bom, eu estava sufocando de saudade de ter vocês duas por perto.
Juliana soltou um suspiro longo.
— Amiga, nem me fale! A nossa vida estava um caos. Ainda bem que a diretoria finalmente cedeu e o nosso trabalho no Departamento de Relações Públicas do Grupo Mancini agora ficará focado aqui em Milão. Chega de malas, chega de fuso horário! Queremos ver esse gordinho crescer de perto, participar de cada fase.
Zoe sorriu, mas ela percebeu que Antonella não estava feliz. Mesmo que Antonella estivesse sorrindo e fazendo barulhos engraçados para distrair o bebê, havia uma sutil sombra de preocupação em seus olhos castanhos. Uma rigidez nos ombros que não condizia com o ambiente relaxante do domingo. Com a intimidade afiada que só os anos de amizade verdadeira trazem, Zoe estendeu a mão livre e tocou delicadamente o joelho de Antonella, chamando sua atenção.
— Eu vejo como o Enzo te olha. Dá para notar de longe que ele está te tratando como uma rainha, muito bem mesmo. Mas... e o resto? E a família dele? Houve alguma evolução, ou o tratamento com você continua o mesmo?
O sorriso de Antonella murchou instantaneamente.
— O Enzo é maravilhoso comigo, Zoe. De verdade, um príncipe. Às vezes me pergunto o que fiz para merecer alguém que se impõe tanto por mim. Ele faz de tudo para me proteger, me blindar e me incluir em cada detalhe da vida dele... mas a família dele simplesmente se recusa a colaborar. A mãe e a irmã dele parecem ter prazer em me fazer sentir um peixe fora d'água. São as piores. O pai dele é o único que... bem, que tenta me engolir pelo bem da paz familiar e pelo respeito ao filho, mas quando estamos no mesmo ambiente, o clima é tão tenso que dá para cortar com uma faca.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O CEO Italiano e a Brasileira