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O CEO Italiano e a Brasileira romance Capítulo 158

No dia seguinte, o salto agulha Louboutin de Vittoria Mancini não apenas tocava o mármore espelhado do corredor da presidência; ele ditava um ritmo de autoridade. O estalo seco e ritmado ecoava pelas paredes de vidro, silenciando os sussurros dos funcionários que abriam caminho à sua passagem. Ela não precisava de crachá, de agendamento e muito menos da aprovação da secretária, que apenas abaixou a cabeça em um cumprimento para poucos. O sobrenome Mancini, fundido em letras de latão polido na recepção, pertencia a ela tanto quanto a Enzo.

Sem bater, ela empurrou a porta da sala da presidência.

Enzo estava submerso em um mar de relatórios financeiros, a caneta tateando as linhas com precisão cirúrgica. Ao ouvir o estalo final do salto contra o tapete persa, ele ergueu os olhos. A testa franziu imediatamente. O relógio de parede de titânio mal marcava oito da manhã.

— O que você está fazendo aqui, Vittoria?

A voz dele era grave, desprovido de qualquer calor fraternal. A desconfiança ali era palpável.

Vittoria desfilou até a cadeira de couro italiano em frente à mesa monumental. Com uma lentidão calculada, acomodou a bolsa Hermès no colo, cruzou as pernas e sustentou o olhar do irmão.

— Vim pedir um emprego. Na minha área, obviamente.

Enzo soltou uma risada curta, seca e carregada de sarcasmo. Ele largou a caneta, recostando-se na cadeira de grife, cruzando os braços.

— Você se formou em Administração há dois anos e a única coisa que administrou desde então foram os limites dos seus cartões de crédito. O que aconteceu? Paris perdeu o charme? Cansou de gastar a herança do papai em Milão?

Vittoria sentiu o estômago queimar, mas manteve a máscara de serenidade que havia ensaiado exaustivamente diante do espelho naquela manhã. Ela respirou fundo, forçando um tom suave e corporativo:

— As pessoas mudam, Enzo. Eu mudei. Quero somar na nossa empresa, ajudar meu irmão. Não posso passar a vida inteira flanando pelo mundo enquanto você carrega o império nas costas, não acha?

Enzo não piscou. O semblante impassível escondia uma mente que calculava a rotação de cada engrenagem. Ele conhecia a irmã que tinha; a vaidade dela jamais se curvaria à rotina de um escritório por puro capricho. Aquela repentina mudança corporativa tinha hora, data e um nome bem específico para ter nascido: Antonella.

No dia anterior, a entrevista bombástica de Enzo assumindo publicamente o namoro com a estagiária do departamento de Relações Públicas, de origem humilde havia balançado as estruturas da alta sociedade. Vittoria e a mãe deles desaprovavam o romance com todas as forças. Aquela "vontade de trabalhar", na verdade, cheirava a espionagem industrial e sabotagem familiar. Ela queria estar por perto para tentar destruir o namoro dele.

Se ela quer jogar, vai jogar sob as minhas regras*, pensou ele. Vou mantê-la tão perto que poderei ouvir cada respiração sua.

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