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O CEO Italiano e a Brasileira romance Capítulo 165

A noite do dia seguinte caiu pesada sobre o apartamento de Francesca Valli, trazendo consigo uma tempestade que batia contra as vidraças, emoldurando perfeitamente o cenário de desolação no interior. Quando a campainha tocou, quebrando o silêncio fúnebre do ambiente, Francesca respirou fundo antes de abrir. Do outro lado, a silhueta elegante de Vittoria Mancini parecia trazer um pouco do mundo exterior, mas o ar ali dentro já estava contaminado.

Francesca abriu a porta com os olhos vermelhos, a maquiagem borrada e o rosto marcado pelo choro. O fantasma de Enzo, ex-noivo de Francesca parecia flutuar pela sala de estar, impregnado no perfume que ele costumava usar e no vazio deixado pelo noivado desfeito.

— Ele esteve aqui ontem à noite, Vittoria.

Desabafou Francesca, a voz embargada, antes mesmo que a amiga pudesse tirar o casaco.

— Ele veio até aqui só para dizer que me odeia. Para jogar na minha cara que tudo acabou.

Vittoria congelou no hall de entrada, os olhos arregalados de choque. Francesca virou as costas, incapaz de encarar a compaixão na face da amiga. Caminhou até a imensa janela da cobertura, fitando as luzes embaçadas da cidade através de uma nova cortina de lágrimas. Fez uma pausa longa, os ombros tremendo enquanto engolia em seco o orgulho ferido que queimava em sua garganta.

— Aquela... aquela Antonella... ela o enfeitiçou.

Cuspiu o nome como se fosse veneno.

— Não importa o que eu faça, Vittoria. Não importa o quanto eu me humilhe ou o quanto eu tente consertar o que tínhamos. Ele jamais vai deixá-la. Ele nunca vai voltar para mim. Eu o perdi. Para sempre.

Vittoria soltou um suspiro pesado, uma mistura sufocante de frustração, raiva e pena. Deixou a bolsa sobre o aparador e aproximou-se devagar, pousando as mãos nos ombros frios de Francesca, tentando transmitir um conforto.

— Calma, Francesca. Esquece isso por um minuto. Meu irmão está cego, é um idiota completo.

Vittoria falou, o tom subindo de tom à medida que sua própria indignação aflorava.

— Se serve de consolo, você não é a única sofrendo com essa palhaçada. No Grupo Mancini, ele protege aquela vadia como se ela fosse um tesouro sagrado, uma relíquia dinástica! Eu mesma, sendo diretora e irmã dele, mal consigo chegar perto dela.

Vittoria afastou-se, gesticulando dramaticamente, o salto alto estalando contra o piso de mármore.

— Sabe o que o Enzo faz? Ele me castiga! Vive me mandando inspecionar canteiros de obras em Milão, Turim e por toda a Itália, só para me manter longe do escritório central. Eu mal consigo pisar no Departamento de Relações Públicas onde ela trabalha para exigir os relatórios! Ele limpou o caminho para ela e nos chutou para a periferia da empresa.

Francesca enxugou uma lágrima teimosa com as costas da mão e virou-se abruptamente. Havia um novo brilho em seus olhos: não mais de desespero, mas de uma dolorosa e fria lucidez.

— Eu vou voltar para Roma!

Anunciou. A voz, antes trêmula, de repente soou firme, cortante como vidro.

— O quê?

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