Ao entrar, Enzo foi diretamente para o departamento que Vittoria trabalhava, os passos de Enzo Mancini ecoavam pesados pelo mármore da sala. Ele parou a poucos metros da irmã, cruzando os braços, o semblante fechado como uma tempestade iminente.
— Vai me dizer que é apenas uma coincidência, Vittoria?
A voz dele ecoou fria, cortante.
— Francesca Valli morando exatamente no mesmo condomínio que eu?
Vittoria, que segurava uma xícara de chá, piscou lentamente, adotando uma expressão de pura inocência. Ela suspirou, colocando a xícara de lado com delicadeza.
— Meu querido irmão, do que você está falando? Eu não fazia a menor ideia de que a Francesca estava morando lá! Desde que ela saiu da nossa mansão, nós mal nos falamos. Eu não sabia o novo endereço dela, juro. Ainda nem tive tempo de visitá-la.
Enzo soltou uma risada ríspida, cheia de escárnio. Ele conhecia a irmã bem demais para cair naquela atuação teatral.
— Não brinque com a minha inteligência, Vittoria. Você sabe exatamente o que está fazendo.
Ele deu um passo à frente, a postura intimidadora.
— Me dá o número do apartamento dela. Agora.
Por dentro, o coração de Vittoria saltou de alegria. Ela imaginou que a proximidade forçada finalmente faria o irmão e a melhor amiga se acertarem, reatando o antigo romance. Tentando disfarçar o entusiasmo, ela pegou o celular.
— Tudo bem, se você quer tanto... vou enviar por mensagem no seu celular.
Enzo olhou a informação, deu as costas sem se despedir e saiu, deixando a irmã com um sorriso vitorioso no rosto, um sorriso que duraria bem pouco.
✨
A noite ao retornar para seu apartamento, Enzo não perdeu tempo, foi direto ao andar antes do seu. Quando a porta do apartamento se abriu, os olhos de Francesca brilharam. Ali estava ele, o homem que ela ainda considerava o amor de sua vida. Mas o brilho sumiu assim que ela viu a rigidez nas feições de Enzo. Ele sequer pediu licença; entrou no apartamento, parando no centro da sala.
— Vamos deixar as coisas bem claras aqui, Francesca.
Enzo começou, a voz baixa e perigosa.
— Eu não quero ver você circulando pelo meu espaço neste condomínio. E, acima de tudo, fique longe da Antonella. Não ouse se aproximar da minha namorada. Se você tiver um pingo de vergonha na cara, faça as suas malas e suma daqui.
Francesca sentiu o impacto das palavras, mas o orgulho e o desespero falaram mais alto. Ela bateu o pé, aproximando-se dele com os olhos marejados, mas cheios de fúria.
— Eu não vou a lugar nenhum, Enzo! Eu vou lutar pelo seu amor! Você pode fingir o quanto quiser, mas eu sei que você não esqueceu tudo o que vivemos. As nossas viagens, os jantares românticos, as reuniões com a sua família... Nós éramos perfeitos juntos! A nossa sintonia na cama, os nossos planos de casamento... Você não pode simplesmente apagar isso!
Um silêncio pesado tomou a sala. Enzo a encarou por alguns segundos. Então, os lábios dele se curvaram em um riso amargo, desprovido de qualquer humor.
— Você tem razão, Francesca. Eu não esqueci.

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