A governanta, impecável em seu uniforme cinza chumbo, anunciou com uma voz que projetava a importância do momento:
— Il Signor Francesco Conti e suas filhas, as senhoritas Elena e Valentina Conti.
Francesco que era viúvo, entrou com a postura rígida de quem carrega o peso de um sobrenome tradicional, ladeado pela beleza distinta de suas herdeiras. Lorenzo Salvattore, o patriarca, abriu um sorriso caloroso ao ver o velho amigo, enquanto seu neto, Henry, dava um passo à frente para as boas-vindas.
Para as irmãs Conti, a visão de Henry foi quase desarmante. Ele trazia consigo o polimento dos anos vividos nos Estados Unidos, uma mistura de elegância europeia com um magnetismo moderno.
Valentina (19 anos): Não se deu ao trabalho de esconder o interesse. Lançou-lhe um sorriso faceiro, medindo-o de cima a baixo com o atrevimento da juventude.
Elena (22 anos): Permaneceu em silêncio, mas seus olhos brilhavam de fascínio, capturada pela presença imponente do rapaz.
Henry, percebendo que era o centro das atenções, agiu com a diplomacia de um mestre de cerimônias:
— É uma honra recebê-los em nossa casa. Por favor, juntem-se a nós. Os Bernardi e os Valenti já chegaram.
O jantar foi uma coreografia perfeita de sabores italianos sofisticados. Entre o risotto de trufas e os vinhos de safra exclusiva, a conversa fluía com a facilidade de quem compartilha décadas de história familiar.
Embora fosse cortês com Elena e Valentina, o brilho de Henry se intensificava em uma direção específica.
Se o jantar era uma disputa silenciosa, Chiara Valenti estava jogando para vencer. Diferente da sutileza das outras, Chiara era uma força da natureza: Uma beleza estonteante e consciente do próprio poder.
Ela era o diferencial, onde as outras falavam de amenidades, Chiara falava a língua de Henry.
A conexão entre os dois não era apenas física ou social; era intelectual. Ambos haviam mergulhado no mundo da tecnologia. Enquanto os outros discutiam o passado da Sicília, eles trocavam ideias sobre o futuro digital. Chiara percebeu a abertura e selou em sua mente uma promessa silenciosa: ela seria a futura Senhora Salvattore, não importava o que teria que fazer para isso.
Diante de Chiara Valenti, Henry esperava o protocolo de sempre: Conversas vazias sobre a última temporada em Milão. Em vez disso, encontrou uma mulher que falava com uma paixão contagiante sobre a convergência entre inteligência artificial e a infraestrutura logística dos Salvattore.
— "Você está me dizendo que a latência na nossa rede de distribuição poderia ser reduzida em 15% apenas com uma reestruturação de nós periféricos?"
Henry perguntou, inclinando-se levemente, os olhos brilhando com uma curiosidade que ele raramente permitia transparecer.
Chiara sorriu, uma expressão que misturava intelecto e um charme magnético.
— "Exatamente, Henry. Os dados estão lá, vocês só precisam parar de olhar para eles como números estáticos e começar a tratá-los como um organismo vivo."
A desenvoltura dela era hipnotizante. Henry, que sempre se sentiu um passo à frente de todos na sala, sentia que finalmente havia encontrado alguém que não apenas o acompanhava, mas o desafiava.
Percebendo o olhar fixo e o interesse genuíno de Henry, Chiara fechou um pouco mais o espaço entre eles. O perfume dela era sutil, mas marcante.
— "Acho que este salão está ficando pequeno para uma discussão tão complexa,"
Ela murmurou, com um brilho desafiador no olhar.
— "O jardim da mansão tem uma iluminação perfeita e o silêncio necessário. Aceita continuar essa conversa lá fora?"

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