Enquanto Juliana caminhava até seu hatch compacto, um guerreiro do dia a dia, o ar condicionado do sub-solo trouxe o aroma sofisticado e marcante de um perfume importado. Era a loira, que passava por ela a passos largos, exalando pura autoconfiança. O abismo entre as duas realidades se consolidou em segundos: Juliana entrava em seu carro comum de classe média, enquanto a desconhecida subia a bordo de um SUV de luxo imponente, legítimo padrão classe alta, cuja porta se fechou isolando-a do resto do mundo.
Ainda um pouco pensativa com as demandas do dia, Juliana entrou em seu veículo, deu a partida e começou a manobrar para sair da vaga. No entanto, em um milissegundo de distração, ela não calculou bem a aproximação e sentiu o solavanco. Um barulho seco de metal raspando contra metal ecoou pelo subsolo. Ela havia batido suavemente na lateral do carro que vinha logo atrás.
— Não acredito, Juliana! Que barbeiragem monumental... Olha, se a ideia era testar os seus limites, parabéns, você conseguiu. Como é que você apronta uma presepada dessas, criatura?!
Resmungou para si mesma, frustrada.
— Acabou de provocar um acidente no estacionamento da própria empresa.
Ela desligou o motor e desceu imediatamente para avaliar os estragos e assumir o erro. Contudo, antes mesmo que pudesse abrir a boca para se desculpar, a porta do carro de luxo se abriu com violência. Caterina Visconti desceu do veículo com os olhos faiscando de ódio, a voz ecoando pelas paredes de concreto:
— Olha o que você fez com o meu carro, sua imbecil!
Gritou ela, gesticulando freneticamente no meio do estacionamento.
— Você é cega, por acaso? Ou tirou a porcaria da habilitação ontem?! Olha o tamanho desse prejuízo!
Juliana respirou fundo, tentando manter a compostura diante dos gritos estridentes da mulher. Olhou para a lateral do SUV e viu que, apesar do barulho, o dano era superficial.
— Por favor, acalme-se. Foi apenas um arranhão leve. Não se preocupe, eu tenho seguro e vou arcar com todo o conserto, moça.

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