A porta da frente da casa dos Rossi não apenas se abriu; ela colidiu contra o batente com um estrondo que fez vibrar os pratos de porcelana na cristaleira da sala. O nível de estresse que Juliana carregava nos ombros parecia ter vida própria, uma aura densa e carregada de eletricidade estática. Ao entrar no ambiente, o cenário que encontrou exalava uma calmaria dominical em plena quinta-feira à noite, mas aquela paz estava com os minutos rigorosamente contados.
No sofá principal de couro simples, o patriarca Giovanni Rossi dividia o espaço com a esposa, Domenica. Enquanto isso, o caçula da família, Bruno, de 13 anos, parecia ter sido quase fundido ao estofado pelo magnetismo da adolescência, com a cara enfiada na tela brilhante do celular, os polegares voando em um ritmo frenético.
Domenica, cujo radar materno era milimetricamente calibrado para detectar crises iminentes a quilômetros de distância, largou o controle remoto na mesa de centro com um baque seco. Ela cravou os olhos na filha, que bufava no hall de entrada como um touro mecânico com defeito na fiação.
— Madonna mia, Juliana! Que cara é essa filha?
Perguntou Domenica, ajeitando a postura e cruzando os braços com a autoridade de quem comanda a casa.
— Você está mais nervosa do que o seu pai quando o preço do tomate italiano sobe no mercado central. O que aconteceu? Foi o novo trabalho?
Juliana não respondeu de imediato. Em vez disso, jogou a bolsa de couro sintético no braço do sofá vazio, soltou um suspiro teatral que pareceu esvaziar seus pulmões por completo e finalmente desabou:
— Mãe, eu estava saindo do trabalho, tá? Naquele subsolo infinito que o Grupo Moretti chama de garagem. Quando fui dar ré para sair da vaga apertada, o meu humilde hatch compacto, meu guerreiro cansado do dia a dia, que eu ainda pago em trinta e seis parcelas, simplesmente... se jogou contra a lateral do carro importado e reluzente da namorada metida do meu chefe.
O efeito da declaração na sala de estar foi instantâneo e coreografado. Giovanni, que até então cochilava com os olhos semiabertos enquanto fingia assistir ao telejornal, saltou do estofado como se tivesse levado um choque de alta voltagem. O tom de sua pele mudou, em uma fração de segundo, de um bege saudável e mediterrâneo para um rosa-choque alarmante.
— O que?!
Exclamou Giovanni, erguendo as mãos espalmadas para o teto, os dedos gesticulando no mais puro desespero.


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