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O CEO Italiano e a Brasileira romance Capítulo 202

O som agudo do celular tocando no mudo fez o estômago de Nicola afundar. Ele mal teve tempo de deslizar o indicador pela tela para atender antes que a voz de Caterina cortasse a linha como uma lâmina amolada, tremendo de pura fúria reprimida.

— Você pode me explicar, Nicola, por que diabos a cara da sua funcionária e a sua esta estampada em destaque na primeira página do Corriere della Sera?

Nicola fechou os olhos, massageando o osso do nariz enquanto um suspiro pesado escapava de seus lábios. Ele conhecia aquele tom; Caterina estava no limite.

— Calma, Cate. Respire.

Pediu ele, mantendo a voz baixa e controlada.

— Nós já conversamos sobre isso. Eu preciso tomar certas atitudes, por mais desagradáveis que sejam, para fazer esse namoro de fachada engolir seco pela minha família e pela imprensa. Você sabe melhor do que ninguém que isso tudo não passa de um teatro. É apenas um contrato assinado com prazo de validade.

— É bom que seja mesmo, Nicola.

Disparou Caterina, a voz envenenada por um ciúme que ela mal tentava disfarçar.

— Porque eu não vou tolerar nem mais um milímetro de intimidade entre você e aquela Relações Públicas de quinta categoria. E tem mais: meus pais acabaram de ver a notícia. Eles estão furiosos. Eu vou ter que contar a verdade sobre essa farsa antes que eles surtam aqui.

Um silêncio tenso pairou no ar. Nicola sentiu o suor frio brotar na nuca. O risco era alto demais.

— Tudo bem...

Cedeu ele, num tom grave e quase ameaçador de tão sério.

— Conte aos seus pais, mas apenas a eles. Nem uma alma a mais pode saber. Eu exijo sigilo absoluto, Cate. Você sabe que é você quem eu amo e que aquela garota não passa de um peão no meu tabuleiro. Estou engolindo esse orgulho agora para garantir o nosso futuro juntos.

O peso das palavras pareceu surtir efeito. A respiração descompassada do outro lado da linha foi aos poucos voltando ao normal, desarmada pela promessa de devoção.

— Está bem amor, eu sei...

Murmurou ela, finalmente.

Caterina desligou sem se despedir. Jogou o aparelho sobre a cama de casal e caminhou até o espelho do quarto, ajustando o tecido da roupa enquanto tentava recompor a postura aristocrática. O coração ainda martelava contra as costelas quando ela abriu a porta do quarto e começou a descer a suntuosa escadaria de mármore.

Cada degrau parecia aumentar o peso do ar. Ao alcançar o pé da escada e adentrar o imponente salão principal da mansão Visconti, com seus tetos altos e afrescos seculares, o olhar de Caterina caiu imediatamente sobre os pais.

Stefano e Lucrécia Visconti estavam dispostos na sala como dois juízes prestes a dar uma sentença. Lucrécia segurava o exemplar impresso do jornal com a ponta dos dedos, como se o papel estivesse infectado, enquanto Stefano mantinha a postura rígida na poltrona de couro, a mandíbula travada.

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