Exatamente uma semana depois, tempo suficiente para Nicola alinhar sua agenda de herdeiro e convencer todo mundo de que ninguém sairia ferido , a promessa foi cumprida. As famílias Moretti e Rossi finalmente se reuniram para um jantar oficial na imponente Mansão Moretti.
A recepção para a família de Juliana não poderia ter sido mais calorosa. O patriarca, Senhor Donato, e os pais de Nicola, Dante e Stella, fizeram questão de deixar todos à vontade. A mansão estava meio vazia, já que Elizabetta e Valério estavam convenientemente viajando para Londres.
Dante sabia perfeitamente que a família da nora era simples, mas tanto ele quanto Stella não podiam se importar menos com o saldo bancário dos Rossi. Para eles, Juliana era praticamente uma santa padroeira: a única mulher na Terra capaz de resgatar Nicola das garras pontiagudas e manipuladoras de Caterina Visconti. Só por esse milagre, ela já merecia uma estátua na entrada da propriedade.
O jantar correu às mil maravilhas, com pratos cujos nomes em francês ninguém da família Rossi sabia pronunciar, mas que todos comeram com bastante entusiasmo. Ao fim da refeição, Donato Moretti e Giovanni Rossi se acomodaram na sala de estar para uma partida decisiva de damas. Após levar uma coça estratégica logo nos primeiros movimentos, Donato ajeitou os óculos e olhou para o adversário com um misto de respeito:
— Agora tudo faz sentido! Entendo perfeitamente por que a Ju é uma enxadrista fantástica e implacável... aprendeu tudo com o pai!
Giovanni deu um sorriso satisfeito, limpando a garganta com o orgulho típico de um pai coruja:
— É verdade, Senhor Moretti. A Juliana sempre foi um prodígio desde pequenininha. Bastava olhar uma vez e já aprendia o truque. Uma mente brilhante! Totalmente o oposto do irmão caçula dela... aquele lá tem alergia a qualquer jogo que exija mais de dois neurônios funcionando ao mesmo tempo.
A sala explodiu em risadas, enquanto Bruno, o citado caçula de 13 anos, nem sequer ouviu a provocação. O garoto estava em seu próprio universo, em um verdadeiro transe ostentação. Com o celular em mãos, Bruno parecia um turista desesperado num museu de luxo, tirando fotos de cada vaso de cristal, cada tapete persa e até das maçanetas folheadas a ouro. Se bobear, já tinha feito três stories para uma rede social e um vídeo com a legenda: "Minha nova e humilde residência".
Domenica, percebendo o exagero do filho, deu-lhe um beliscão discreto na costela e o repreendeu em um sussurro alto:
— Bruno! Sossega com essa empolgação! Pare de ser inconveniente, menino. Você não pode sair tirando foto da casa dos outros como se estivesse num tour de safári!
Stella, divertindo-se com a cena, interveio imediatamente com um gesto suave:

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