O som estridente dos saltos de Caterina ecoou pelos mármores importados do hall da mansão Visconti antes mesmo que ela surgisse na sala de estar. Quando cruzou o portal de jacarandá, sua presença era como uma tempestade. O cabelo, sempre impecavelmente alinhado, estava todo desalinhado; a maquiagem cara, borrada pelas lágrimas de puro ódio.
No sofá de veludo, Stefano e Lucrécia compartilhavam uma taça de vinho. Ao erguerem os olhos e depararem-se com o estado da filha, o ar na sala pareceu congelar. Eles se entreolharam, um misto de espanto e pressentimento ruim cruzando suas feições aristocráticas.
— Caterina, por Deus!
Lucrécia levantou-se de imediato, a voz tingida de alarme.
— O que aconteceu com você?
Caterina parou no centro do tapete persa, os punhos cerrados e o peito arfando. A fúria tremia em suas cordas vocais:
— Aquela... aquela empregadinha insolente! Ela me agrediu! Aquela mulher é uma completa louca, uma psicopata que deveria estar atrás das grades!
Lucrécia levou a mão à boca, empalidecendo, a indignação subindo-lhe à garganta:
— O quê?! Como ela ousou tocar em você?
Stefano Visconti levantou-se num salto, a taça de vinho batendo com força contra a mesa de centro. Seu rosto contraiu-se em uma máscara de puro descontentamento e orgulho ferido. O grito do patriarca ecoou pelo teto alto da mansão:
— O que essa infeliz fez?! Te agrediu física e verbalmente?
Ao ver a reação colérica do pai, a armadura de fúria de Caterina desmoronou, dando lugar a um choro teatral e manipulador. As lágrimas finalmente rolaram, borrando o rímel enquanto ela abraçava o próprio corpo, encenando uma fragilidade que buscava Redenção.
— Ela avançou em mim como um animal, papai...
Soluçou Caterina, a voz embargada pelo veneno e pela autopiedade.
— Ela me bateu! Me jogou no chão gélido daquele apartamento imundo! Eu... eu nunca levei um tapa na minha vida inteira! Nem de vocês! Aquela subalterna me humilhou da pior forma possível!
A espinha de Stefano ergueu-se, rígida como ferro. O sobrenome Visconti era uma instituição em Milão, e ver sua linhagem rebaixada por alguém que ele considerava insignificante era um insulto intolerável.
— Ela acha que irá agredir uma Visconti e que sairá impune de um crime desses?
Stefano esbravejou, andando de um lado para o outro.
— Isso é o cúmulo! Você vai pegar o telefone agora e contar cada detalhe desse ataque para o Nicola. Ele precisa saber, de uma vez por todas, que a namorada de contrato dele não passa de uma psicopata.
Um estalo de pânico cortou o choro de Caterina. O medo de perder o controle sobre o herdeiro dos Moretti superou a sua humilhação.
— Não! Papai, não!
Caterina segurou o braço do pai, os olhos arregalados de pânico.

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