No último andar do edifício do Grupo Moretti, Nicola encerrava uma reunião com os diretores de departamento. Assim que a sala da presidência esvaziou, ele se ajeitou em sua mesa. Seus dedos deslizavam rapidamente pelo teclado enquanto gráficos e relatórios financeiros alternavam-se na tela.
No entanto, sua mente estava longe dali, estava em Caterina. O plano do falso namoro com sua funcionária precisava dar certo; era o único caminho para que sua família finalmente aceitasse a mulher que ele realmente amava.
O toque do telefone interrompeu seus pensamentos. Nicola estendeu a mão e atendeu.
— Sr. Moretti, o Sr. Enzo Mancini está aqui.
Anunciou a secretária.
— Deixe-o entrar.
Respondeu ele, de forma seca.
Minutos depois, a porta da presidência se abriu. Um homem vestindo uma impecável camisa Armani entrou na sala com um sorriso provocativo.
— Enfim consegui um horário na agenda do meu amigo ocupado!
Exclamou Enzo, de forma dramática. Ele se aproximou da mesa e foi direto ao ponto:
— Vim saber sobre esse namoro com a amiga da minha esposa. Como vocês se apaixonaram tão rápido? E a Caterina? Esqueceu todo aquele amor avassalador por ela?
Sem tirar os olhos do monitor, Nicola retrucou baixinho:
— Esse namoro entre mim e a Juliana é apenas um contrato. Mas, por favor, Enzo, não comente com ninguém. Só te contei porque você é meu amigo de infância.
Enzo sentou-se na cadeira à frente da mesa, sem se abalar com a frieza do amigo. Um sorriso irônico surgiu em seu rosto antes de gargalhar:
— Namoro falso? Por que essa loucura? E por que a Juliana aceitaria uma insanidade dessas? Por Deus, Nicola, você vai acabar fazendo a garota sofrer.
Nicola finalmente ergueu a cabeça, encarando o amigo com o olhar gélido.
— O que você está tentando insinuar?
— Só estou preocupado com a Juliana.
Disse Enzo.
O canto dos lábios de Nicola se curvou num leve deboche.


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