Uma semana depois, Milão tornava-se o epicentro absoluto do universo. A cidade sediava o evento mais implacável da alta-costura europeia: a famigerada Milan Fashion Week. O grande clímax da temporada aconteceria pontualmente naquele sábado, às 20h, no imponente Fiera Milano Rho, um dos maiores e mais modernos complexos de exposições do planeta, cravado na região metropolitana milanesa. Era o tipo de lugar onde a densidade demográfica por metro quadrado era composta por investidores bilionários, políticos influentes, herdeiros mimados e a mais pura nata da sociedade. Basicamente, um evento onde se você não tivesse ao menos um iate, era considerado invisível.
Às 19h30 em ponto, Nicola apertava a campainha do apartamento de Juliana. Ele vestia um terno sob medida tão caro que provavelmente poderia pagar a dívida externa de um pequeno país. Estava pronto para interpretar o papel da sua vida.
A porta se abriu. E o cérebro de Nicola deu pane seca.
Juliana o recebeu com um sorriso cativante, completamente deslumbrante em um vestido sereia de alta-costura que parecia ter sido esculpido diretamente em seu corpo. Nicola a encarou de cima a baixo, piscando devagar para ter certeza de que não estava tendo uma alucinação alcoólica. Ele nunca tinha visto sua (até então) pacata funcionária e "namorada" daquele jeito.
Lutando bravamente para manter a postura de executivo inabalável e falhando miseravelmente, ele pigarreou, tentando recuperar a voz que parecia ter fugido para a Suíça:
— Você já está pronta?
Juliana segurou o riso diante do estado de transe do chefe:
— Sim. Só vou pegar minha bolsa.
Segundos depois, ela retornou ajustando a alça do acessório.
— Agora sim. Prontíssima senhor Moretti.
— Então vamos!
Disse ele, rezando mentalmente para que suas pernas voltassem a obedecer aos comandos do cérebro.
O trajeto até o evento foi um teste de resistência psicológica. O silêncio dentro do carro era tão denso que daria para cortar com uma tesoura de alfaiate. Nicola mantinha os olhos fixos no trânsito, fingindo ser o motorista mais concentrado da Itália, mas seus olhos o traíam a cada sinal vermelho. Ele dava espiadelas de relance, fingindo checar o retrovisor, enquanto tentava convencer o próprio coração a parar de bater como um martelo pneumático.
Ao chegarem ao Fiera Milano Rho, a realidade os atingiu com a força de um furacão de flashes. Um verdadeiro batalhão de fotógrafos e jornalistas os aguardava na entrada. Lembrando-se subitamente de que precisava manter as aparências do acordo contratual ou talvez só aproveitando a desculpa perfeita, Nicola passou o braço pela cintura de Juliana, puxando-a para junto de si. A proximidade repentina fez o perfume dela atropelar o juízo dele sem dó nem piedade.
Ao cruzarem as portas do salão principal, Nicola foi imediatamente cercado por tubarões do ramo corporativo. Afinal, o Grupo Moretti não era apenas uma empresa; era a espinha dorsal da moda na Europa. Mas, enquanto os empresários falavam sobre ações, tendências e lucros, Nicola só tinha um problema real para gerenciar: o fato de que metade dos homens do salão estava prestes a torcer o pescoço tentando secar a sua "namorada de mentira".
Manter a compostura de herdeiro bilionário nunca tinha sido tão difícil.
No complexo de exposições, também estavam presentes Henry e Zoe Salvattore, e Enzo e Antonella Mancini, amigos próximos de Nicola e Juliana. Ao se encontrarem, o grupo decidiu ocupar as primeiras fileiras para acompanhar os desfiles.
A apresentação foi um sucesso absoluto. Encerrados os desfiles, os convidados seguiram para um coquetel no grande salão. Henry, Enzo e Nicola conversavam animados de um lado, enquanto Zoe, Antonella e Juliana trocavam impressões um pouco mais afastadas, embora ainda ao alcance do olhar dos três amigos.
Contudo, Nicola não conseguia tirar os olhos de Juliana. A cena fez Enzo sorrir e provocar:

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