Nicola cruzou a porta do apartamento de Juliana parecendo um maratonista que acabou de correr quarenta quilômetros de terno. O peito subia e descia numa respiração descontrolada, e o cérebro simplesmente se recusava a processar a informação recente: ele tinha acabado de dar um beijo cinematográfico na sua namorada de mentira. E o pior... não foi um beijo protocolar de contrato. Foi com um desejo tão desmedido que faria qualquer roteirista de novela mexicana chorar de inveja.
"O que diabos estava acontecendo com ele?"
Sua mente buscava desesperadamente uma culpa plausível. Só podia ser o efeito do Whisky. Afinal, ele amava Caterina! Caterina era a mulher da sua vida, a dona dos seus suspiros, a pessoa que ele sempre desejou. Juliana era só... a funcionária. A garota do contrato, uma desconhecida.
Antes que pudesse elaborar uma teoria mais elaborada sobre como o whisky afeta o caráter, seu bolso começou a vibrar freneticamente. O visor do celular brilhava com o nome da sua musa: "Cate"
Ele mal teve tempo de deslizar o dedo na tela e encostar o aparelho na orelha antes de ser atingido por uma avalanche de perguntas.
— Nicola! Dá para me explicar que palhaçada é essa?
A voz de Caterina veio afiada o suficiente para cortar vidro.
— Eu passei a noite inteira te ligando! Onde você estava? Ainda está preso com aquela funcionária sonsa e sem sal?
Nicola soltou um suspiro pesado, engolindo a culpa que insistia em subir pela garganta.
— Desculpe, meu amor. O evento acabou agorinha mesmo... Foi uma loucura. Podemos nos encontrar naquele mesmo hotel de sempre?
Do outro lado, o tom furioso de Caterina mudou instantaneamente para uma malícia calculada.
— Ótimo. Te vejo lá em meia hora. E não se atrase.
Meia hora depois, Nicola estacionava em frente a um hotel discreto para não dizer duvidoso nos arredores de Milão. O tipo de lugar perfeito para encontros secretos e para quem quer evitar os fotógrafos de fofocas.
Assim que girou a chave e abriu a porta do quarto que já conhecia como a palma da sua mão, o cenário estava montado: Caterina o esperava encostada na cabeceira, usando apenas uma lingerie vermelha provocante e uma pose de capa de revista.
A reação de Nicola foi quase automática, um mecanismo de defesa do seu ego masculino. Ele precisava daquilo. Precisava provar para si mesmo que Juliana era apenas um surto passageiro e que não tinha controle nenhum sobre ele. Ali, diante dele, estava a mulher que ele realmente amava.

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