E ela obedeceu. Obedeceu porque era Nicola. Obedeceu porque desejava aquele homem arrogante desde o primeiríssimo dia em que pisou naquela empresa.
Nicola aprofundou o beijo, dominando o espaço com a língua e sentindo-se tragado por uma atração magnética e incontrolável. Havia um desespero bonito naquele toque, um incêndio sem controle.
Mas então, um choque de realidade atravessou a mente de Juliana como um balde de água gelada. aquilo estava tudo errado! Aquele não era o romance de um conto de fadas; era a vida real. Existia Caterina na jogada. Existia um contrato burocrático de falso namoro assinado e registrado. Ele não a desejava de verdade como mulher, ele só a estava beijando para amaciar o próprio ego ferido, motivado pelo ciúme ridículo de um garçom do passado. Não havia gentileza genuína ali, apenas a necessidade de vencer uma disputa.
Decidida a não virar mero troféu de vaidade, Juliana parou de responder ao beijo. Ficou rígida.
— Maldição, me beije de volta!
Rosnou ele, colando os lábios novamente nos dela com uma insistência possessiva. Havia uma raiva contida no gesto, uma aspereza de quem não aceitava perder o controle.
Pela primeira vez naquele escritório, Juliana sentiu uma pontada de medo real de Nicola. Parecia que ele estava punindo-a por ter desafiado sua autoridade masculina.
— Não!
Ela tentou falar, mas a palavra foi abafada pela pressão da boca dele.
Para piorar o curto-circuito de suas emoções, a mão dele desceu com autoridade até o seu quadril, apertando-a e puxando-a contra o corpo dele de forma perigosamente íntima. Juliana entrou em pânico interno. Como era possível querer e não querer ao mesmo tempo? Como aquele homem conseguia deixá-la arrebatada e assustada, fazendo-a desejá-lo e odiá-lo na mesma exata proporção?
— Eu não quero o seu beijo! Vá beijar a sua namorada!
Exclamou ela, reunindo todas as forças para empurrar o peito largo dele com as duas mãos.
Nicola deu um passo para trás. O ímpeto desapareceu, deixando apenas o silêncio da sala.
— Esqueceu?
Disse ele, com a voz arrastada e um olhar de escárnio.
— Aos olhos de todo o mundo, a minha namorada é você.
— Namorada de mentira!
Rebateu ela, ajeitando a roupa amassada.
— Por contrato! Por um ano! E eu tenho certeza absoluta de que não há nenhuma cláusula que te dê o direito de me agarrar desse jeito!
Ele estreitou os olhos, cruzando os braços:
— Você me provocou quando mencionou aquele garçom de araque.
Ela deu de ombros, sustentando o queixo erguido:
— Você mereceu por ser um soberbo insuportável.
Nicola, contudo, soltou um risinho de canto de boca, recuperando a postura prepotente:

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