A madrugada prenunciava o caos. Enquanto o céu começava a desabar sobre a cidade com uma tempestade feroz, Nicola ainda tentava encerrar uma conversa interminável com o primo Valério. Seu foco, no entanto, estava alguns metros ao lado: Juliana, visivelmente alterada pelo álcool, performando uma dança solo bastante entusiasmada em um vestido vermelho perigosamente curto.
Assim que Valério finalmente se despediu, Nicola marchou até a pista.
— Chega de dançar, Juliana. Vou te levar para casa, já que você bebeu muito hoje.
Ela parou, deu uma leve oscilada na vertical e o encarou com a dignidade que só três taças a mais podem proporcionar:
— Eu não estou bêbada. E vou no meu carro. Sozinha!
Nicola revirou os olhos.
— Eu dirijo. Não sou louco de te deixar assumir um volante nesse estado.
— Nada disso!
Juliana apontou um dedo acusador, errando a direção do nariz dele por alguns centímetros.
— Você tem compromisso. Tem que ir esquentar a cama da Caterina, esqueceu? Eu nem sou sua namorada de verdade, nosso namoro é de mentirinha!
Sem paciência para o show, Nicola a guiou até o estacionamento.
— A Chaves. Agora!
Ele pediu.
Ela suspirou dramaticamente e jogou a chave na mão dele.
— Só não quero a sua oxigenada me enchendo o saco amanhã.
— Garanto que a Caterina não vai dizer nada.
Entraram no carro. No banco do passageiro, Juliana ria sozinha de piadas que só existiam na cabeça dela. A barra do vestido vermelho havia subido, revelando pernas que sempre tiraram o juízo de Nicola. Bonita, sexy e completamente fora de si, ele pensou, pigarreando para espantar a distração.
Um trovão ensurdecedor estremeceu o capô do carro.
— Está caindo o mundo!
Disse Nicola.
— Vou te levar para o meu apartamento, é mais perto.
Juliana olhou para o céu, e o pânico de raios instantaneamente venceu a teimosia:
— Perfeito! Acelera!
Quando estacionaram na garagem da cobertura, a chuva já era uma tempestade violenta. Juliana, cuja tolerância ao álcool era vergonhosamente baixa, já tinha apagado no banco. Sem alternativa, Nicola a pegou no colo. Ela era leve, mas o estado de nocaute era total.
Ele a carregou até o quarto de hóspedes e a ajeitou na cama. Foi quando o celular tocou.
"Caterina".

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