Dias depois, a atmosfera entre Juliana e Nicola tornara-se insuportável. Cada olhar trocado nos corredores da empresa trazia um peso invisível. Nicola travava uma batalha silenciosa contra o próprio peito: a presença de Juliana sua funcionária e sua namorada de fachada começava a despertar nele sentimentos que fugiam completamente ao seu controle. No entanto, sua mente inflexível insistia em repetir a mesma mentira de sempre: Caterina era a mulher certa. A mulher perfeita para o seu status.
Mas suas ações traíam seus pensamentos.
Nos últimos dias, Nicola vinha se esquivando de Caterina. Os encontros furtivos na calada da noite, nos hotéis mais discretos e afastados dos arredores de Milão, tornaram-se escassos, quase inexistentes. A ausência de Nicola não era apenas uma falha na rotina; era um alarme silencioso que ecoava na casa dos Visconti, atiçando a fúria e a ganância da família.
Para Lucrécia, a matriarca, o futuro matrimônio da filha com o poderoso e influente Nicola Moretti não era uma questão de amor, mas sim a garantia de uma mina de ouro inesgotável para sua familia que ultimamente vivia apenas de status, onde a ruína financeira estava cada dia mais próxima.
— Caterina, você precisa agir! Nossa família precisa dessa união, Nicola Moretti é o único magnata que pode salvar nosso nome da ruína financeira.
Ordenou Lucrécia, a voz cortante como vidro, enquanto andava de um lado para o outro na sala luxuosa.
— Não espere Nicola esperar quase um ano para levá-la ao altar. Os sentimentos dos homens são volúveis, minha filha. E o sexo... ah, o sexo jamais segura um homem para sempre.
Caterina bufou, a raiva estampada no rosto perfeitamente maquiado.
— Mamãe, por favor! Nicola é completamente obcecado pelo meu corpo, sempre foi! Nem a sonsa da Gina, com aquele casamento ridículo e sem vida, conseguiu tirá-lo de mim, Nicola me ama isso eu tenho certeza.
Ao lado delas, Stefano dobrou o jornal que lia com um estalo seco. O olhar que lançou à filha era carregado de um desprezo prático.
— Você é infinitamente tola, Caterina.
Disse Stefano, a voz grave e desencantada.
— Há quantos dias Nicola não toca em você? Há quantos dias ele sequer olha na sua cara?
A espinha de Caterina gelou, mas ela sustentou o queixo erguido, recusando-se a dar o braço a torcer.
— Ele estava em viagem! Ele mesmo me disse. E quando voltou, disse que estava exausto por causa dos negócios. É perfeitamente normal!
Stefano deu uma risada amarga, balançando a cabeça.
— Eu sou homem, Caterina. E quando conheci sua mãe, eu usava exatamente essa mesma desculpa esfarrapada para a mãe da Gina. Quando a paixão morre, o cansaço vira a melhor mentira. Eu já não amava Donatella há muito tempo.
Um silêncio desconfortável pairou no ar. Caterina deu um passo para trás, a voz vacilando ligeiramente:
— Pois isso... isso jamais vai acontecer comigo. Nicola me ama.

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