O eco do último aperto de mãos ainda pairava no ar quando o pesado portal de madeira da sala de reuniões finalmente se fechou. A comitiva de investidores se fora, levando consigo o falatório ensaiado e os sorrisos polidos. De repente, a imensa sala de reuniões pareceu encolher, sufocada por um silêncio denso e quase palpável.
Restavam apenas Nicola e Juliana.
O ar condicionado zumbia baixo, mas a temperatura do ambiente parecia subir a cada segundo. Juliana nem sequer esperou o clique da fechadura. Girou sobre os calcanhares, travou o corpo com os braços cruzados na altura do peito e cravou o olhar no CEO. Não havia mais espaço para diplomacia. Com o queixo levemente erguido e a voz encharcada de um sarcasmo cortante, ela disparou:
— Pelo visto, a 'senhorita' adorou o seu portfólio. E o resto também.
Nicola a olhou, ajeitando os punhos da camisa, e deixou escapar um risinho:
— Não tenho interesse algum nela, Juliana.
— Ah, não? Vocês pareciam prontos para marcar o casamento ali mesmo na mesa de conferência!
Nicola deu um passo à frente, com um sorriso abertamente cínico:
— Não me diga que a minha diretora de RP está com ciúmes...
— Ciúmes? Por favor! Estudo de mercado e preservação da ética profissional. Ciúmes não é a palavra certa.
— E qual seria a palavra certa?
Provocou ele.
Nicola diminuiu o espaço entre eles sem tirar os olhos da boca dela. Parou a milímetros de seu rosto e, antes que ela pudesse inventar outra desculpa corporativa, tomou sua boca com uma fome acumulada de dias.


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