A noite já ia alta e Juliana tinha certeza absoluta de uma coisa: Nicola Moretti não daria as caras. Afinal, a agenda noturna daquele homem parecia ter contrato de exclusividade assinado com Caterina. Juliana já estava pronta para maratonar uma série de dorama ou ouvir BTS seu grupo de K-pop preferido, devorar um pote de sorvete e fingir que seu coração era feito de pedra.
Porém, pontualmente às 21 horas, a campainha tocou.
Quando abriu a porta, Juliana quase esqueceu como se respirava. Nicola estava lá. Sem a armadura do terno italiano de três peças que ele usava no Grupo Moretti, vestindo apenas jeans e uma camiseta casual que parecia desenhada no corpo dele. "Injusto. Completamente ilegal". Pensou Juliana.
— Pensei que você estivesse ocupado... compondo a plateia de outra pessoa.
Disse ela, mantendo o tom de voz exemplarmente calmo, um verdadeiro Oscar de autocontrole.
Nicola deu aquele sorriso torto, o mesmo que provavelmente já tinha livrado ele de multas de trânsito e falências corporativas:
— Eu marquei com você, Juliana. Não com Caterina.
— Entre, então.
Ela deu um passo para o lado, rezando para que a sua dignidade não tropeçasse no tapete da sala.
Juliana ofereceu algo para beber, torcendo para que ele aceitasse e desse a ela alguns segundos de distância, mas ele recusou com um aceno suave.
— Precisamos conversar, Juliana.
Ela soltou um suspiro dramático, cruzando os braços para tentar criar um escudo invisível:
— Se isso é sobre o "incidente" desta tarde na sala de reuniões do Grupo Moretti, economize o saliva. Não me afetou em nada. Segue o jogo, vida que segue, porque para mim continua tudo igual, nada muda, sou sua namorada de mentira por um ano, e fingir faz parte do pacote.
Nicola deu dois passos lentos na direção dela. A distância de segurança foi reduzida a zero em três segundos.
— Não acredito em uma só palavra que você poderá fingir o tempo todo, hoje você não parecia fingir na sala de reuniões.

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