Sem rodeios, Nicola segurou o braço de Juliana e disparou, com o tom de quem manda um relatório atrasado:
— Vamos embora. Você está completamente bêbada.
Juliana puxou o braço de volta com a força e a coordenação de um recém-nascido tentando lutar boxe. Irritada, arrastando as palavras como se a língua estivesse anestesiada, ela protestou:
— Eu... não estou bêbada! Estou co-me-mo-ran-do o aniversário da Viviana! Vá embora! Pode ir lá ficar com a sua... com a sua jiboia amarela e me deixa em paz!
Nicola encarou Juliana por exatamente dois segundos. Ele calculou o tempo que levaria para convencê-la racionalmente a sair dali e chegou à conclusão lógica de que seria mais fácil ensinar física quântica para um peixe dourado. A diplomacia tinha oficialmente acabado.
Sem dizer uma única palavra, ele deu um passo à frente, dobrou os joelhos e se curvou. Antes que Juliana pudesse processar o que estava acontecendo, Nicola a ergueu pelos quadris e a jogou sobre o ombro direito. A manobra foi tão rápida e executada com tanta brutalidade graciosa que ela parecia menos uma mulher adulta e mais um saco de batatas premiado sendo transportado no Ceasa.
— Ei! Me solta, seu bruto!
Protestou ela, com a voz abafada contra as costas do paletó dele, enquanto o mundo girava e o teto da balada virava chão.
Ele ignorou completamente o show particular. Atravessou a pista sob o olhar horrorizado das amigas e o olhar divertido do segurança da porta. Ao chegar no carro, abriu a porta do passageiro, acomodou Juliana como pôde e passou o cinto de segurança, travando-a como uma carga preciosa (e perigosa). Assumiu a direção e saiu em disparada rumo à sua mansão.
O álcool, contudo, cobra seu preço rápido. Bastaram três quarteirões e o balanço do motor para que os protestos indignados de Juliana se transformassem em um ronco suave. Ela apagou profundamente.


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