Minutos depois, a respiração de Juliana finalmente desacelerou até se tornar um sussurro pesado e constante. O som suave do sono dela trouxe um alívio quase doloroso para Nicola. Ele deu um passo lento para trás, puxou a porta com extrema cautela até sentir o estalo metálico da fechadura e caminhou pelo corredor em silêncio. Chegando ao seu próprio quarto, encarou a penumbra com o peito denso, carregado pelo peso do que aquela presença na sua casa representava.
O dia seguinte não chegou suave; ele desabou sobre Juliana.
Ao abrir os olhos, a luz que atravessava as frestas da cortina parecia cortar sua visão. Uma dor pulsante cravava-se em suas têmporas, enquanto cada músculo do seu corpo protestava a cada pequeno movimento. A ressaca a mantinha presa ao colchão, mas a agonia mental era ainda pior: a memória da noite anterior era um amontoado de sombras e fragmentos desconexos. Entre o nevoeiro da mente, apenas uma certeza se destacava, fria e perturbadora: "Nicola tinha aparecido no clube e arrastado ela para sua mansão."
Arrastando-se até o banheiro, ela deixou a água quente cair sobre as costas, tentando desesperadamente lavar a sensação de desamparo e juntar as peças do que havia acontecido.
Mal tinha acabado de se vestir quando pancadas firmes, porém corteses, ecoaram na porta da suíte. Ao abri-la, Juliana deu de cara com uma mulher de postura impecável e olhar severo, cujas linhas no rosto carregavam a autoridade de anos de serviço.
— Bom dia!
Disse a mulher, a voz pausada e sem espaço para intimidades.
— Meu nome é Dominika. Sou a governanta do Sr. Nicola. O patrão a aguarda na mesa da sala de jantar para que tomem o desjejum juntos.
— Obrigada, Dominika... Já estou descendo.
Respondeu Juliana, engolindo em seco.
Seguindo os passos firmes da governanta pelos corredores imponentes da propriedade, a sensação de deslocamento só aumentava. A luxuosa mansão era fria, calculada e opressiva, uma extensão perfeita do próprio dono.
Na sala de jantar, a cena parecia congelada no tempo. Nicola estava acomodado à cabeceira da longa mesa de madeira escura, o rosto completamente oculto pelas páginas abertas de um jornal financeiro. O aroma de café fresco e pães quentes contrastava com a atmosfera gélida do ambiente.
Juliana puxou uma cadeira, o som da madeira roçando no piso parecendo ensurdecedor.
— Bom dia...
Murmurou ela, a voz ligeiramente trêmula.


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