OS CONVITES
O silêncio da ala leste da mansão Salvattore era quebrado apenas pelo toque do seu celular. Henry estava estirado em sua poltrona de couro italiano, com um copo de cristal contendo dois dedos de uísque e a mente finalmente longe dos negócios da família. A iluminação em tons de âmbar destacava o luxo sóbrio do quarto, um refúgio de mármore e madeira escura.
O vibre metálico de seu celular sobre a mesa de cabeceira cortou a quietude. Ele franziu o cenho ao ver o nome no visor, mas seus lábios esboçaram um meio sorriso quase imperceptível.
Ele deslizou o dedo pela tela.
— Salvattore falando!
Atendeu, com a voz grave e aveludada pelo cansaço da noite.
— Boa noite, Henry. Espero não estar interrompendo o seu descanso.
A voz de Chiara Valenti soou do outro lado, clara e impecável, carregando a polidez inerente ao sobrenome que carregava.
— Chiara. Que surpresa agradável.
Henry endireitou a postura, o tom de voz tornando-se mais atento.
— O que devo à honra da sua ligação em uma hora dessas?
— Serei breve...
Ela respondeu, e Henry quase pôde imaginar o sorriso diplomático em seu rosto.
— Gostaria de convidá-lo para um jantar na mansão Valenti neste sábado. Será uma recepção íntima, com a presença só da minha família, já que nesse início você gosta de privacidade. Gostaríamos muito da sua companhia.
Henry girou o líquido no copo, observando o reflexo no cristal. Um convite direto dos Valenti nunca era apenas sobre comida; era sobre alianças e o xadrez do poder. No entanto, o tom de Chiara tornava o convite difícil de recusar.
— Um convite feito pessoalmente por você é impossível de ignorar, Chiara.
Henry respondeu, retomando o tom formal que a ocasião exigia.
— Aceito com prazer. Por favor, estenda meus cumprimentos aos seus pais e confirme que estarei presente às sete.
— Ficamos combinados assim, então. Obrigada, Henry. Tenha uma boa noite.
— Boa noite, Chiara. Até sábado.
O visor se apagou, devolvendo o quarto à penumbra. Henry tomou o último gole do uísque, sabendo que, a partir daquele momento, o sábado deixara de ser uma noite de descanso para se tornar o evento mais estratégico da sua semana.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O CEO Italiano e a Brasileira