— Ah, Lucca! Espera aí, apressadinho.
Antonella exclamou, limpando as mãos no avental e trocando um olhar cúmplice com Juliana.
— Quase esquecemos de te falar. Sábado agora, dez da noite, vai rolar uma confraternização nossa.
— Isso mesmo!
Completou Juliana.
— É só o pessoal da "baixa gastronomia" aqui da Salvattore. Amigos da copa,... a gente vai se reunir na Bobino Milano. Você vem com a gente?
Henry sentiu um leve desconforto em recusar um convite tão empolgado.
— Poxa, meninas, fico lisonjeado pelo convite, de verdade.
Respondeu ele, de forma polida, já preparando a saída.
— Mas sábado eu já tenho um compromisso marcado. Não vou conseguir me juntar a vocês dessa vez.
Antonella fez um biquinho de decepção, mas Juliana, sempre mais observadora e com um brilho astuto nos olhos, deu um passo à frente.
— É uma pena...
Ela começou, pausando dramaticamente.
— A Zoe também vai. Ela confirmou hoje cedo que vai com a gente para dançar um pouco e distrair a cabeça.
O nome "Zoe" atingiu Henry como uma descarga elétrica. Em sua mente, o cenário mudou instantaneamente: ele não via mais o corredor da empresa, mas sim as luzes estroboscópicas da boate, a música alta e Zoe, cercada por desconhecidos, sendo alvo de olhares cobiçosos e abordagens oportunistas. Um incômodo agudo, uma mistura de posse e proteção que ele tentava sufocar, apertou seu peito.
Ele hesitou. O "compromisso" de Henry Salvattore subitamente pareceu menos importante do que o paradeiro de Lucca naquela boate.
— A Zoe vai?
Ele perguntou, tentando manter a voz casual, embora seus dedos tivessem apertado com mais força a alça do carrinho.
— Vai sim. Vai ser animado!
Provocou Juliana, notando a mudança na postura dele.
Henry pigarreou, tentando recuperar o controle da situação.
— Bom... pensando bem, talvez meu compromisso não demore tanto.
Ele disse, ajustando o boné para esconder o olhar inquieto.
— Se der tempo, eu dou um pulo por lá. Não garanto nada, mas vou tentar aparecer.
As duas sorriram vitoriosas enquanto o viam se afastar pelo corredor. Henry, por outro lado, já estava mentalizando como faria para estar na Bobino Milano.
.....
O aroma de café fresco preenchia a pequena copa da Salvattore Technologies. Era aquele breve refúgio de descanso no meio da tarde, onde o barulho das máquinas de lavar louça dava lugar às fofocas e risadas.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O CEO Italiano e a Brasileira