LUCCA ENTRA EM AÇÃO
Henry, ao deixar a propriedade dos Valenti, dirigiu as presas até a empresa.
O ar condicionado da cobertura da Salvattore Technologies trabalhava silenciosamente, contrastando com o som abafado da metrópole lá embaixo. Antônio Tommaso estava de pé junto à imensa vidraça, a postura impecável e a expressão de quem já estava acostumado com a imprevisibilidade de seu patrão.
A porta dupla de carvalho abriu-se com um baque seco. Henry Salvattore entrou a passos largos, desabotoando o paletó italiano com uma urgência quase febril.
— O tempo é um traidor, Antônio!
Exclamou Henry, sem preâmbulos.
— O jantar na mansão dos Valenti se estendeu mais do que o esperado. Entre o vinho e a cortesia, quando dei por mim, já eram quase dez da noite.
Antônio não mudou sua expressão serena. Com um movimento lento e deliberado, ele ergueu o punho esquerdo, afastando a manga da camisa sob medida para consultar o relógio de pulso.
— Na verdade, Senhor Salvattore...
Antônio fez uma pausa dramática, os olhos voltando-se para o chefe.
— Já são dez e meia da noite.
Henry parou no meio da sala, soltando um suspiro exasperado enquanto jogava o paletó sobre uma das poltronas de couro.
— Meia hora de atraso no cronograma.
Resmungou Henry, passando a mão pelo cabelo.
— Creio que minhas companhias devem ter chegado no local a um bom tempo.
Antônio caminhou até a mesa lateral, onde uma mala de mão discreta e um conjunto de chaves comuns repousavam.
Com a eficiência que o tornava indispensável, Antônio gesticulou para os itens organizados:
_"As roupas que o senhor solicitou, jeans escuro de corte reto, camiseta básica de algodão egípcio, a jaqueta de couro e sapatos sociais comum. Nada que grite 'bilionário'."
_"Relógio de aço escovado, sem diamantes, e sua carteira secundária com apenas o essencial."
_"O carro comum está posicionado na saída de serviço do subsolo. É um modelo popular, cor prata, tanque cheio. Ninguém o seguirá."
— Excelente! Já vou me vestir.
Henry disse, a adrenalina da noite começando a substituir a chatisse do jantar formal com a família Valenti.
— O anonimato é o meu melhor acessório hoje à noite.
Antônio entregou as chaves.
— O Bobino o espera, senhor. E, se me permite o conselho: tente não olhar tanto para o relógio desta vez.
Henry sorriu e disse:
_Creio que isso não irá acontecer.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O CEO Italiano e a Brasileira