O clima na recepção do edifício era denso, carregado pelo som metálico do elevador que demorava a chegar. Zoe sentia o olhar de Mattia queimando em suas costas, uma presença sufocante que parecia não aceitar um "não" como resposta.
— Chega, Mattia! Cuida da sua vida e me deixa em paz.
Disparou ela, a voz firme apesar do cansaço.
— Se você continuar a me perseguir desse jeito, eu não vou hesitar: eu vou direto à polícia denunciar você.
Ele soltou uma risada seca, dando um passo à frente, invadindo o espaço pessoal dela.
Eu vi como vocês se abraçam. É patético. Você realmente acha que ele se importa com você?
Zoe suspirou cansada e disse:
— O Lucca me respeita. Algo que você claramente esqueceu como se faz.
Mattia parou a poucos centímetros dela. O ciúme emanava dele como calor de um motor superaquecido. Ele balançou a cabeça, um sorriso amargo e condescendente surgindo em seus lábios.
— Respeito? Acorda, Zoe. Para nós você é uma novidade, um passatempo exótico. Você acha que ele te vê como uma igual?
Ele baixou o tom de voz, tornando-o cruelmente íntimo.
— Ele está apenas se divertindo. No final do dia, para pessoas como ele, imigrantes não têm valor algum. Você é descartável, uma história para ele contar aos amigos antes de se casar com alguém daqui, não com uma forasteira.
O silêncio que se seguiu foi cortante. Zoe sentiu a picada das palavras dele, não porque acreditasse nelas, mas pela feiura da intenção por trás delas. Ela respirou fundo, endireitou a postura e olhou diretamente nos olhos turvos de Mattia.
— É engraçado, Mattia...
Disse ela, com uma calma que o surpreendeu.
— Você diz que ele não me vê como igual, mas é você quem está aqui embaixo, escondido no escuro, tentando diminuir o valor de alguém para se sentir maior. O Lucca não me define pelo meu passaporte.
Ela deu um passo para o lado, contornando-o.
— Se eu não tenho valor, por que você está tão obcecado em me seguir?
O silêncio que se seguiu foi interrompido apenas pelo plim do elevador chegando. Zoe entrou na cabine sem olhar para trás. As portas se fecharam, deixando Mattia para trás, paralisado pela fúria. Ele apertou os punhos, os nós dos dedos brancos de raiva, mas, por um resquício de juízo, permaneceu imóvel enquanto os números no painel subiam até o quarto andar.
Ao entrar no apartamento, Zoe jogou a bolsa sobre a mesa, o corpo tremendo levemente. Sua mãe, Laura, percebeu o estado da filha imediatamente.

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