A ASTÚCIA DE CHIARA
O sol de sábado banhava a fachada de pedra da Mansão Salvattore, realçando a hera que escalava as paredes centenárias. No interior, o aroma de manjericão fresco e vitela assada flutuava pelos corredores, cortesia do olhar atento de Ludovica. A governanta, impecável em seu uniforme, movia-se com a precisão de um maestro, garantindo que cada cristal na mesa de jantar refletisse a luz com perfeição.
A chegada de Chiara Valenti não foi apenas uma entrada; foi um evento. Ao cruzar o umbral da sala de jantar, ela parecia ter saído diretamente de um editorial da Vogue Itália. Vestindo um conjunto de seda cor marfim que abraçava sua silhueta com a modéstia que só a verdadeira riqueza conhece, ela carregava o peso do sobrenome Valenti com uma leveza invejável.
Henry Salvattore levantou-se mecanicamente, seu rosto mantendo uma neutralidade polida que escondia seus verdadeiros pensamentos. Ao seu lado, o patriarca Lorenzo Salvattore na sua cadeira de rodas, já exibia um sorriso que não chegava apenas aos lábios, mas iluminava todo o seu rosto enrugado pelo tempo e pelo poder.
— Chiara, cara mia!
Exclamou Lorenzo, tomando a mão da jovem e depositando um beijo respeitoso.
— Você traz o brilho de Milão para esta casa velha. Ludovica superou-se hoje, mas nada na mesa compete com a sua presença.
Eles se sentaram. Ludovica serviu o primeiro prato em silêncio absoluto, retirando-se logo em seguida. Lorenzo, no entanto, não pretendia deixar o silêncio reinar.
— Eu estava dizendo a Henry antes de você chegar, Chiara...
Começou Lorenzo, enquanto gesticulava com uma taça de água.
— que não existe mulher em toda Milão, talvez em toda a Itália, capaz de superar você. Não é apenas beleza; é o sangue.
Chiara sorriu, uma expressão ensaiada de humildade que combinava perfeitamente com suas pérolas.
— O senhor é muito generoso, Don Lorenzo. Minha família guarda um enorme carinho pelos Salvattore.
— Generosidade tem pouco a ver com fatos.
Rebateu Lorenzo, lançando um olhar significativo para o neto.
— A influência dos Valenti na política é o alicerce que falta para consolidar nossos novos empreendimentos. Um acordo entre nossas famílias não seria apenas um casamento de interesses, Henry... seria um império.
Henry, que até então mantinha o foco em seu prato, ergueu os olhos para a convidada.
— Meu avô sempre teve um talento especial para transformar o almoço em uma mesa de negociações, Chiara. Peço desculpas se ele a faz se sentir um ativo financeiro.
Chiara sustentou o olhar de Henry com uma confiança inabalável.
— Não se preocupe, Henry. Na minha família, aprendemos cedo que o amor é bom, mas o poder... o poder é eterno.
Lorenzo soltou uma gargalhada ruidosa, batendo levemente na mesa.
— Estão vendo? É disso que eu falo! Henry, você tem diante de si a perfeição.
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O sol se despedia de Milão, tingindo o horizonte de um laranja metálico que refletia nas janelas colossais da mansão Salvattore. No pátio de cascalho, o motor do carro de luxo de Chiara ronronava suavemente, um som que, para Henry, parecia uma contagem regressiva para a liberdade.
Chiara ajeitou os óculos escuros sobre a cabeça, lançando um sorriso perfeitamente ensaiado.

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