O CONFRONTO
A penumbra da mansão Salvattore parecia mais densa naquela noite. O silêncio do casarão era interrompido apenas pelo tique-taque rítmico do relógio de parede, que marcava o passar das horas como uma contagem regressiva para a paciência de Zoe. O jantar, foi o testemunho silencioso de mais uma ausência do marido. Zoe discou o número de Henry pela quinta vez. Caixa postal.
Um arrepio gélido percorreu sua espinha, não pelo frio do inverno, mas pela lembrança vívida do almoço na copa da empresa. As palavras de Juliana ainda ecoavam como um veneno lento: "Zoe, eu vi o jeito que a Karen se aproximou. Ela sussurrou algo no ouvido dele, e a expressão dele... não era de quem estava discutindo planilhas."
Eram quase onze e meia da noite, quando o som do motor do carro ecoou no pátio. Pouco depois, Henry entrou no quarto. O nó da gravata estava frouxo e o semblante, carregado de um cansaço que Zoe já não sabia se era físico ou moral.
— O que você ainda faz acordada?
Ele perguntou, sem olhá-la diretamente.
— Eu avisei que a reunião ia estender.
Zoe levantou-se da poltrona, a raiva fervendo sob a superfície de sua calma aparente. Ela caminhou até ele, parando a poucos centímetros.
— E essa reunião... era exclusiva com a Senhorita Taylor?
O nome de Karen saiu de sua boca com o peso de uma acusação.
Henry estancou. Por um segundo, o tempo parou. O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor.
— Zoe, por favor. Eu estou exausto, não venha com acusações sem sentido.
Ele desconversou, desviando o olhar para o banheiro.
— Preciso de um banho e de cama.
— Não foge de mim, Henry!
Ela o seguiu, a voz subindo de tom.
— Que tipo de relação você tem com a Karen? Ela está presente entre nós o tempo todo. E esses sussurros constantes no seu ouvido que todo mundo na empresa já começou a falar?

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