O ANIVERSÁRIO DE CASAMENTO
A paz parecia ter finalmente selado as frestas que a desconfiança havia aberto na mansão Salvattore. Nos dias que se seguiram àquela briga tempestuosa no quarto, Henry não apenas retornou para casa; ele retornou para Zoe. As refeições, antes apressadas ou solitárias, tornaram-se o porto seguro do casal. A figura onipresente de Karen Taylor havia recuado para as sombras do escritório, permitindo que o alívio florescesse no peito de Zoe como um jardim na primavera de Milão.
Naquela tarde, o sol atravessava as janelas de vidro da empresa Salvattore, iluminando a mesa de Henry. Zoe entrou com um sorriso que não usava há tempos.
— Reservei o restaurante para o nosso primeiro ano de casados.
Ela anunciou, aproximando-se.
— Um lugar à altura do que construímos, Henry. Quero que seja inesquecível.
Henry ergueu os olhos dos papéis, e a rigidez habitual de seus ombros cedeu. Ele se levantou, contornou a mesa e segurou as mãos da esposa.
— Você leu meus pensamentos meu amor.
Ele murmurou, depositando um beijo em sua testa.
— Vou chamar o Antônio agora mesmo. Nada, absolutamente nada, vai interromper a nossa noite. Vou pedir para ele limpar minha agenda. É o nosso momento, Zoe.
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Dois dias depois, a capital da moda parecia brilhar apenas para eles. Quando o carro parou em frente ao restaurante de luxo, o clima era de reverência. A área VIP, exclusiva para os dois, era um santuário de velas cujas chamas dançavam ao som suave de um violinista posicionado estrategicamente.
O jantar fluiu entre risos e confissões baixas. Henry estava diferente; não era o CEO implacável, mas o homem que Zoe amava. Ele se inclinava para ela, as mãos se encontrando sobre a toalha de linho, os dedos se entrelaçando com uma urgência renovada.
A celebração não terminou com a última taça de vinho. O destino final foi uma suíte presidencial em um hotel cinco estrelas, onde o luxo se encontrava com o desejo. Ao abrirem as portas duplas, o aroma de milhares de pétalas de rosas vermelhas preenchia o ar, cobrindo a cama como um tapete de seda carmesim.
Henry fechou a porta atrás de si, deixando o mundo exterior e qualquer sombra de Karen Taylor do lado de fora.
_"Eu senti falta disso",
Ele confessou contra a pele dela, a voz rouca.
_ "Senti falta de nós."
Naquela noite, sob os lençóis de fios egípcios e a luz difusa da lua milanesa, não houve espaço para dúvidas. Henry se rendeu completamente. Cada toque era uma promessa, e cada beijo uma tentativa de apagar as mágoas passadas. Zoe entregou-se com a alma leve, acreditando que, enfim, o império Salvattore tinha um alicerce inabalável: o amor deles.
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Duas semanas depois, Henry partiu para Roma, ficaria uma semana na capital para resolver alguns problemas na filial de lá.
Dias depois, o silêncio de Henry tinha um peso diferente de qualquer outro barulho. Para Zoe, as paredes da mansão pareciam ter encolhido desde que o brilho verde das notificações de seu celular parou de iluminar a mesa de cabeceira.
Duas semanas atrás, eles brindavam ao aniversário de casamento. Henry havia sido o homem dos seus sonhos novamente: o olhar suave, as promessas de um futuro tranquilo e aquela atenção aos detalhes que ela tanto amava. Foi com esse voto de confiança renovado que ela o viu partir para Roma.

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