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O CEO Italiano e a Brasileira romance Capítulo 92

EU CANSEI, HENRY

O silêncio da mansão Salvattore, era quase sepulcral naquela noite de sábado. Todos já dormiam quando Henry cruzou o limiar da porta principal, os ponteiros do relógio já se aproximavam das 23:30. Uma semana em Roma, mergulhado em reuniões exaustivas na filial do grupo, foi superado com o descanso nos últimos dias da semana.

Ele subiu as escadas com passos pesados, embora tentasse não fazer ruído. Ao entrar no quarto, a penumbra era quebrada apenas por uma suave luz de apoio. Zoe estava lá, entregue ao sono, cansada de uma espera que se estendeu por dias. Henry parou aos pés da cama e a observou. Antigamente, aquele retorno seria marcado por um abraço impetuoso e relatos entusiasmados; agora, ele apenas suspirou. Seus olhos, que antes carregavam um brilho vibrante e decidido, pareciam opacos, como se estivessem nublados por um segredo ou um peso que ele não podia compartilhar.

Após um banho demorado, onde a água quente parecia não ser suficiente para lavar suas preocupações, ele se deitou. O colchão cedeu sob seu peso, e Zoe, em um estado de semiconsciência, sentiu sua presença.

Henry inclinou-se e depositou um beijo em seu rosto.

_"Boa noite..."

Ele sussurrou, a voz tão baixa que mal parecia real.

Zoe não teve forças para despertar totalmente, e o sono a levou de volta para um vazio inquieto.

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O sol de domingo entrou pelas frestas da cortina, mas o lugar ao lado de Zoe já estava vazio. Henry saíra para sua habitual caminhada matinal, fugindo do inevitável confronto de acusações da esposa.

Com um aperto estranho no peito, Zoe levantou-se e foi até o banheiro. O cesto de roupas sujas guardava a camisa de linho que ele usara na viagem de volta. Movida por um instinto que ela tentava silenciar, ela pegou a peça. Não havia marcas de batom, nem fios de cabelo, nem bilhetes.

Mas então, ela aproximou o tecido do rosto.

O aroma a atingiu como um golpe físico. Não era o amadeirado sutil de Henry. Era uma fragrância floral intensa, sofisticada e marcante. Zoe fechou os olhos, a memória traindo-a instantaneamente: Karen Taylor. A sócia de Henry. A mulher que compartilhou com ele os passeios em Roma. A dor em seu peito era sufocante, uma pressão que parecia impedir o ar de chegar aos pulmões.

Zoe ainda estava ali, estática, segurando a prova invisível de uma traição silenciosa, quando o som da maçaneta girando ecoou pelo quarto. Henry havia voltado.

O vapor do chuveiro ainda flutuava pelo quarto quando Zoe saiu do banheiro, enrolada em um roupão de seda. O silêncio do domingo de manhã era denso. Henry estava ali, jogado na poltrona, a cabeça pendida para trás e os olhos fechados, como se o peso do mundo estivesse esmagando suas pálpebras.

Zoe não suavizou o olhar. A secura em sua voz cortou o ar como uma lâmina:

— Por que você ignorou minhas ligações a semana toda, Henry? Nem sequer um "oi" por mensagem. Nem respondeu minhas mensagens. Você simplesmente sumiu.

Henry abriu os olhos lentamente, encarando-a com uma expressão de cansaço quase ensaiada.

— Eu sinto muito, Zoe.

Ele respondeu, a voz rouca.

— Estive atolado de trabalho. Quase não peguei no celular durante esses dias. Foi uma loucura.

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