OS PAPÉIS DO DIVÓRCIO
Uma semana depois, o silêncio no gabinete da Salvattore era denso, quebrado apenas pelo zumbido suave do ar-condicionado. Henry encarava o horizonte através da parede de vidro, mas sua mente estava em um looping constante de negação.
Quando o interfone tocou e a voz da secretária Fiorella, anunciou Dominic Pausini, o estômago de Henry afundou. Ele sabia. No fundo, ele sempre soube que Zoe não era de blefar, mas o ego o fizera acreditar que o tempo seria seu aliado.
Dominic entrou com a postura impecável e a neutralidade profissional que Henry detestava. O cumprimento foi breve.
— Em nome da senhora Zoe Salvattore,
Disse Pausini, estendendo o envelope pardo.
— Ela já assinou todos os termos. Agora, só depende do senhor.
Ao tocar o papel, a frieza do material pareceu queimar os dedos de Henry. Suas mãos, sempre firmes para fechar negócios multimilionários, tremiam visivelmente. Ele não abriu o envelope; o peso das assinaturas dela ali dentro já era suficiente para esmagar sua confiança.
— Eu vou falar com a minha esposa primeiro.
Henry declarou, a voz rouca, tentando recuperar uma autoridade que sentia escorrer por entre os dedos.
Assim que o advogado cruzou a porta de saída, a máscara de Henry caiu. A fúria borbulhou, misturada a um desespero que ele se recusava a nomear. Ele passou uma semana esperando que ela "esfriasse a cabeça", convencido de que o luxo da mansão Salvattore e a história que construíram durante um ano de casados a trariam de volta por vontade própria.

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