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O CEO QUE ME FERIU E AGORA ME PROTEGE romance Capítulo 3

Dante voltou para casa apenas o suficiente para ver a filha acordada. Olie falava sobre coisas pequenas, triviais, como se o mundo estivesse perfeitamente no lugar. Dante a ouviu em silêncio, tentando se ancorar naquela breve normalidade antes de sair novamente.

Os dias seguintes passaram com um vagar pesaroso. Ainda assim, Dante tentou demonstrar naturalidade, principalmente na empresa.

Dante esteve presente nas reuniões, sentado à cabeceira da mesa, os relatórios abertos à sua frente. Respondia quando era chamado, assentia nos momentos esperados, mas o pensamento escapava com frequência. Bastava uma pausa mais longa e a cena retornava: o asfalto molhado, o vulto surgindo de repente, o impacto seco demais para ser esquecido.

— Dante?

A voz o trouxe de volta.

Leon, responsável pela implantação, o observava com atenção contida.

- Você está bem? - perguntou. - Parece distante desde a última terça.

Dante piscou, recompôs a postura.

- Aconteceu algo, respondeu, vago. — Mas não é assunto para esta reunião. Vou resolver.

Ele assumiu a palavra em seguida, como se nada estivesse fora do lugar. Comentou propostas, ajustou números, direcionou decisões. A sala voltou a girar ao redor dele.

Nem todos, porém, se deram por satisfeitos.

- Resolver quando? Cortou Rita, sem levantar a mão.

Alguns olhares se voltaram para ela.

Rita, gerente financeira, inclinou-se levemente sobre a mesa, os braços cruzados, o semblante afiado.

- Porque, com todo respeito, você está aqui de corpo presente e a quilômetros de distância. E isso impacta diretamente o planejamento.

O silêncio se instalou, desconfortável.

Dante sustentou o olhar por um segundo a mais do que o necessário.

— Não estou ignorando nada, disse. - Estou priorizando.

Rita soltou um riso curto, sem humor.

Antes que alguém tentasse intervir, o telefone de Dante tocou.

O som cortou a sala.

Ele olhou para a tela e levantou-se imediatamente, sem pedir licença, sem explicar. Saiu da sala, deixando frases inacabadas e uma tensão densa para trás.

- É isso? A voz de Rita ecoou. - Abandona a reunião e pronto? Desde quando isso é aceitável?

Ninguém respondeu.

No corredor, Dante atendeu a ligação.

Esperava, ainda que não admitisse, que fosse uma notícia diferente. Que alguém tivesse aparecido para procurá-la. Que um nome tivesse sido dito.

Não foi o que aconteceu.

Do outro lado da linha, o médico falou com a mesma voz contida de antes. Ninguém procurara pela paciente. O prazo se esgotava. A sedação precisaria ser reduzida, e a autorização ainda não existia.

Dante não hesitou.

- Está autorizado, disse, seco. - Passarei para assinar os papéis.

Desligou o telefone e permaneceu parado por alguns segundos, o aparelho ainda na mão.

Pensou: - É o certo a fazer.

Respirou profundamente, como se precisasse de mais ar naquele momento, e então se dirigiu para assinar os papéis.

A assinatura do documento foi rápida.

Dante mal leu as linhas impressas. Confiava no médico ou talvez confiasse apenas no fato de que já havia ido longe demais para voltar atrás. Quando devolveu a caneta, sentiu um desconforto breve no estômago, não arrependimento, mas a consciência clara de que não gostaria de estar passando por aquilo.

- Vamos reduzir a sedação aos poucos, explicou o médico. — Se não houver intercorrências, ela deve despertar nas próximas horas.

- Horas? — Dante perguntou, apenas para confirmar o que ouvira.

- Sim, horas. Vamos retirar a sedação gradualmente e avaliar como a paciente reage.

Dante assentiu.

- Retorno em breve para saber como ela está.

Ao sair do hospital, os pensamentos vieram todos de uma vez, atropelando-se dentro da cabeça dele.

E se houver sequelas?

Cadê a família dessa moça?

Abandonei a reunião.

Tenho que buscar a Olie na escola.

Preciso contratar outra babá.

Florence, a governanta, não está dando conta de tudo sozinha.

Resolveu não voltar para a empresa. Ainda havia tempo até a filha sair da escola e, mesmo de terno e gravata, fez aquilo que sempre o ajudava a controlar a ansiedade.

Correr.

Exigir do corpo para silenciar a mente.

Entrou no carro e dirigiu até o bosque próximo à sua casa. Parou, soltou a gravata, abriu alguns botões da camisa e deixou o terno no banco traseiro. Precisava descarregar tudo aquilo antes de voltar ao hospital e cumprir a promessa feita à filha.

Correu por quarenta minutos sem parar.

Era pouco para o padrão dele, mas suficiente para devolver algum controle à respiração e ao pensamento. O suor escorria, o corpo cansava e a mente, aos poucos, desacelerava.

Precisava seguir.

3 - EM PRETO E BRANCO 1

3 - EM PRETO E BRANCO 2

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