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O CEO QUE ME FERIU E AGORA ME PROTEGE romance Capítulo 6

Ainda no mesmo dia, pela manhã.

Dante mal havia atravessado a porta do andar quando ouviu seu nome.

- Dante.

Ele parou no meio do corredor.

Leon vinha em sua direção, passos firmes, expressão séria para ser apenas curiosidade. Trabalhavam juntos havia anos. Leon sabia reconhecer quando algo estava fora do lugar.

- Você sumiu, disse ele. - Cancelou reuniões, saiu no meio da nossa última reunião, não respondeu mensagens. O que aconteceu?

Dante respirou fundo, medindo as palavras.

- Aconteceu uma coisa, respondeu. - E não foi pequena.

Leon cruzou os braços.

- Dá pra ser mais específico?

Dante olhou em volta. Gente passando, vozes misturadas, a empresa funcionando como sempre.

- Vamos entrar , disse. - Melhor conversar na minha sala.

Entraram. Dante fechou a porta e apoiou as mãos na mesa por um instante, como se organizasse o que diria.

- Eu me envolvi num acidente, começou. - Atropelei uma pessoa.

Leon arregalou levemente os olhos.

- Como assim?

- Foi na noite da última segunda-feira. Estava chovendo muito, o trânsito parado. Quando o trânsito deu uma brecha, eu acelerei. Por uma distração de segundos, não freei a tempo, explicou Dante, sem rodeios.

- Ela está viva? - perguntou Leon, direto.

- Está. Ficou em estado grave, mas agora está estável.

Leon soltou o ar devagar.

- Meu Deus…

- Eu fiquei no hospital desde o início, continuou Dante. - Assumi tudo. Tratamento, despesas, o que foi necessário.

- E juridicamente? - perguntou Leon.

- Tudo foi registrado. Não houve fuga. Não houve negligência comprovada, respondeu Dante. - Ainda assim, vou acionar o advogado. Quero formalizar uma indenização.

Leon cruzou os braços.

- Você não costuma agir por impulso.

- Isso não é impulso, disse Dante. - É responsabilidade.

Houve um breve silêncio.

- O nome dela é Melissa Cross, acrescentou Dante. - Ela esteve inconsciente até ontem. Parece que ainda está, não sei ao certo. Desde ontem não tive mais notícias.

- Como você se sente com relação a isso, Dante? - perguntou Leon.

- Cansado. Testado. Sinto a vida me testando, respondeu. - Queria que não tivesse acontecido, mas aconteceu. Agora preciso arcar com as responsabilidades.

Leon assentiu.

- Vou falar com o Jonas, o advogado, disse ele. - Pensar no valor da indenização.

- Faça isso, Leon. Te agradeço. Estou com a cabeça cheia demais e ainda preocupado, torcendo para que essa moça não tenha ficado com sequelas. Pelo que vi, ela é uma pobre coitada, com o pai doente. Provavelmente veio procurar emprego na cidade grande, como fazem tantas pessoas do interior com poucos recursos. Encontrei papéis molhados na mochila dela, pareciam currículos, mas estavam tão estragados que não consegui ver sequer o nome ou as instruções.

- Sendo assim, disse Leon, - ela mal deve saber dos próprios direitos. É capaz de te agradecer por você ter pago a conta do hospital, mesmo sendo o responsável pelo atropelamento. Esse pessoal de baixa renda agradece por tudo, até quando tem direitos.

- Leon, não seja maldoso, - respondeu Dante. - Mas você tem razão. Só o que me faltava essa pobre coitada me agradecer. Aí, sim, eu seria corroído pelo remorso.

Fez uma pausa e completou:

- Assim que possível, traga o Jonas à minha sala. Quero que ele me oriente legalmente sobre os passos que devo seguir para ser justo e não ficar em dívida com a justiça. Peça para que venha assim que puder. Pretendo ir ao hospital visitar a moça ainda hoje.

No hospital, ao entardecer, Melissa pediu à enfermeira se poderia se levantar. Mesmo sentindo muita dor, a pressa em melhorar lhe dava forças para enfrentar o desconforto físico.

- Mel… posso te chamar assim? - perguntou a enfermeira. - Foi o primeiro nome que você vocalizou quando a equipe perguntou seu nome.

- Claro. - Mel é meu apelido desde a infância.

- Um apelido que faz jus a você. - Seus olhos cor de mel são lindos, intensos. Fazia tempo que não via uma tonalidade assim, misturando mel com um pouco de ocre. - Além disso, você parece ser um doce de pessoa. Completou a enfermeira.

Melissa sorriu de leve.

- Muito obrigada. Há tempos não ouço um elogio tão bem elaborado. Te agradeço de verdade. Mas me diga… posso me levantar?

- Não pode, Mel. - Por enquanto, não. - Além da pancada na cabeça, você fraturou três costelas. Por isso sente dor ao respirar, tossir ou chorar. - Precisa de repouso absoluto para que os ossos calcifiquem novamente. O ortopedista já as colocou no lugar durante as cirurgias, mas agora é preciso esperar.

- Cirurgias? Quantas cirurgias eu fiz?

- Duas cirurgias grandes. Uma na cabeça, para controlar a pressão e o sangramento, e outra nas costelas. Além disso, você perdeu muito sangue e precisou de transfusão.

Melissa arregalou os olhos.

- Tinha meu tipo sanguíneo nos estoques? Sempre tive medo de algo assim acontecer, porque sei que meu tipo é difícil de encontrar.

A enfermeira hesitou um segundo.

- Mel… o homem que te atropelou foi quem doou o sangue para você. - Ele não tem o mesmo tipo sanguíneo, mas o sangue dele era compatível com o seu. Isso salvou sua vida.

Melissa ficou em silêncio por alguns instantes.

6 -  BUROCRACIAS 1

6 -  BUROCRACIAS 2

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