CELSO MIRANTES
Eu observei Rosália Duarte se afastar pelo jardim iluminado, o tecido verde-sálvia do vestido balançando em torno de quadris que pareciam ter sido desenhados por um arquiteto divino com uma inclinação para curvas perigosas.
Meu cérebro estava desnorteado, com uma sensação desconhecida no peito: a sensação de ter sido caçado.
Eu era Celso Mirantes. Estava acostumado a ser o predador, o homem que entrava em uma sala, escolhia a mulher mais bonita e a levava para a cama com um sorriso e algumas palavras bem colocadas. A conquista era, geralmente, um jogo que eu controlava do início ao fim.
Mas com ela o roteiro tinha sido rasgado antes mesmo de eu abrir a boca.
Meus olhos tinham grudado nela muito antes da recepção. Foi na cerimônia. Quando as portas se abriram e o cortejo começou, eu deveria estar olhando para o Ethan ou para a noiva. Mas meus olhos desviaram para a madrinha.
Ela caminhava segurando o filho do Ethan nos braços. Meus olhos foram atraídos e aprisionados naquele cabelo escuro ondulado, olhos castanhos expressivos e aquele corpo que hipnotizaria qualquer homem. Sua beleza me atingiu como um tijolo. Ela não parecia doce ou submissa. Tê-la por uma noite seria proveitoso e divertido.
E agora, trinta minutos depois de uma conversa que durou menos de cinco, eu tinha um endereço e um prazo.
— Está na hora. — murmurei para mim mesmo, terminando a bebida, olhando para o meu relógio Patek Philippe. Vinte e oito minutos.
Eu não ia fazê-la esperar, mas também não queria parecer desesperado (embora, internamente, minha curiosidade e libido estivessem gritando para eu correr). Caminhei tranquilamente pelo vinhedo, cumprimentando alguns convidados com acenos breves, evitando o olhar aguçado do Ethan, que certamente saberia o que eu estava indo fazer se me visse.
O ar da noite de Napa estava fresco, mas meu sangue estava quente. A audácia dela... "Isso não é um convite para conversar".
Cheguei ao Chalé 4. Era uma construção charmosa, afastada das outras, garantindo privacidade total. A luz da varanda estava acesa.
Parei na porta, ajeitando o paletó. Quando estivermos juntos vou recuperar o controle da situação. Vou entrar lá e lembrá-la de quem eu sou.
Bati na porta. Duas batidas firmes.
Ela não demorou. A porta se abriu quase imediatamente.
Rosália estava lá. O vestido verde tinha desaparecido. Em seu lugar, ela usava um roupão branco curto, amarrado frouxamente na cintura, que deixava à mostra pernas longas perfeitamente torneadas e os pés estavam descalços.
O cabelo dela estava solto, caindo sobre um ombro, e ela segurava uma taça de vinho tinto com a mesma casualidade com que segurava meu interesse.
— Vinte e nove minutos — ela disse, olhando para um relógio invisível no pulso, um sorriso de canto nos lábios. — Pontualidade é uma virtude que eu aprecio, senhor Mirantes.
— Pode me chamar apenas de Celso, e cumprir prazos é algo que eu também aprecio, Rosália — respondi, entrando assim que ela deu espaço.
O interior do chalé estava aquecido e cheirava a madeira e... a ela. Aquele perfume cítrico e misterioso. As luzes estavam baixas.
Ela fechou a porta atrás de mim e se virou.
— Aceita uma taça? — ela perguntou, caminhando em direção a uma pequena mesa onde uma garrafa de vinho aberta respirava. — É um Cabernet Sauvignon da reserva especial da família Petterson.
— Aceito — respondi, observando o movimento dos quadris dela.
Ela serviu o vinho, de costas para mim. Eu aproveitei o momento para tirar o paletó e jogá-lo sobre uma poltrona. Afrouxei a gravata, abrindo o primeiro botão da camisa.
Rosália se virou e caminhou até mim, estendendo a taça. Nossos dedos se roçaram quando peguei o cristal, e a eletricidade estática foi quase visível.
Levei a taça à boca, mantendo o contato visual, e tomei um gole generoso. O vinho era encorpado, complexo e excelente.

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