O estrangeiro Capítulo 58

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Acordei cedo com Charlie batendo na minha porta, automaticamente me perguntei se tínhamos marcado algo, mas nada vinha na minha mente. Foi quando vi sua mochila cheia que tirei a conclusão: algo estava errado.

Ela olhou para mim com os olhos vermelhos, seus cabelos estavam mais bagunçados que o normal e as roupas de cor cinza pareciam abarrotadas.

— Posso ficar com você? — A voz dela saiu de maneira fraca, quase como um súplico.

Assenti automaticamente, mesmo sem entender. Ela passou por mim já jogando sua mochila para um canto qualquer; nem ao menos olhos nos meus olhos.

— Prometo que não vai demorar, eu só precisava de um tempo para pensar. — Disse andando de um lado para o outro.

— Calma — me aproximo e seguro em seus ombros —, o que aconteceu?

Charlie parecia se esforçar para não chorar.

— Minha mãe descobriu tudo.

Eu esperava que fosse me sentir mais surpreso, mas desde a nossa conversa no quarto entendi que as mães sempre sabem de tudo, mesmo que você tente enganá-las.

— Ela disse que eu não era mais bem-vinda se quisesse ficar com você, então estou aqui. — Soltou um sorriso amarelo.

A puxei para meus braços e senti minha camiseta ser molhada. Me perguntei qual foi a última vez que fiquei de mãos atadas, senti impotência e fraqueza. Nunca deixaria Charlie sozinha, mas aquela situação não parecia correta.

[...]

Passamos a tarde juntos, ela não abria a boca para dizer nada e eu ficava pensando em quantos problemas arrumaríamos se ela realmente ficasse aqui. Em partes eu fiquei feliz por não precisamos mais esconder que somos um casal há meses, mesmo assim, foi uma decisão tomada de cabeça quente.

Olho para ela enquanto me arrumava para o trabalho, minha menina deitada em posição fetal não era a maneira que a queria em minha cama.

Respiro fundo e coloco as mãos na cintura.

— Deveria conversar com sua mãe.

Ela me lançou um olhar amedrontador.

— Não, não vou.

— Charlie — me aproximo —, ela não deixará de ficar preocupada e você de se chatear.

Seus olhos vermelhos me deixavam com um nó no peito.

— Não me quer aqui? Tudo bem, eu vou embora.

— Eu não disse isso.

— Então não diga — ela se senta na cama e coloca os cabelos para trás das orelhas. — Hunter, não é só por você, é por tudo! Minha mãe não sabe me dá espaço, eu conheci o mundo por minha conta, tudo o que ela fez foi me esconder de tudo e todos.

Uma lágrima vacila.

— Mesmo que eu me acerte com ela, não vou mais voltar e ponto.

Ela volta a se deita e puxa a coberta para cima de si.

Respiro fundo mais uma vez.

Charlie estava certa, a mãe não poderia fazer nada, pois os 18 anos dela a impedia. Desde que a conheci, Donna a privou de tudo que pôde e agora Charlie cresceu, ela não era mais uma criança.

— Certo. — Me sento na borda da cama e passo minha mão em sua costa. — Se tem certeza disso o melhor que podemos fazer é esperar, pode ficar comigo o quanto quiser.

— Obrigada. — Ela resmunga debaixo do lençol.

— Não queria sair e deixá-la, mas realmente preciso trabalhar. — A puxo para um abraço. — Caso sinta fome tem comida na geladeira, consegue se virar?

Assentiu.

— Ótimo. — Deposito um beijo em sua cabeça.

Antes de sair me certifico se ela saberia trancar as portas, não saberia o que fazer se Charlie corresse perigo mais uma vez.

Após me formar, meu emprego no escritório não mudou eu continuava sem participar das reuniões, mas deixei de ser estagiário. Ainda não pensava em fazer minha pós, se eu ficasse mais alguns anos com aquela gravata maldita com certeza entraria em pânico.

volta. Estar naquele lugar não me trazia uma sensação estranha de que me tornei meu pai, não que fosse algo ruim, mas certa vez prometi a mim mesmo que nunca viveria dessa forma, quase 10 anos depois eu estou aqui.

Eu saía sempre às 22 horas, quando terminava de preencher o resto das papeladas de processos e de recolher todos os copos de café de cima das mesas. Me sentia um idiota.

meu celular vibrar no bolso, era um número desconhecido, desliguei, mais uma vez ligam de novo, mas dessa vez eu atendo.

Hunter? Pelo amor de Deus, me ajuda! — Uma voz de mulher fala do outro lado da linha.

Franzo o cenho.

— Quem está falando?

a Ashley... eu caí da escada, estou sozinha em casa e Denner não atende, pode... — ela grita de dor e der repente a ligação cai.

Limpo o suor em minha testa e penso na última vez que quis bancar o herói, a cicatriz do tiro provavelmente nunca sumiria da minha pele. Por mais que Candace não fosse minha filha ela não merecia isso, eu tinha que ajudar de alguma forma.

Peguei um táxi e fui para a casa de Ashley. Chegando em frente, corri para dentro, por sorte a porta estava aberta.

Próximo à escada estava ela, apoiando uma mão no corrimão e quase apagando. Me aproximei e passei minha mão em sua testa, ela suava frio.

— Ashley, por favor, acorde! — Olho para baixo e vejo sangue em sua roupa. — Droga...

A tomo em meus braços, ela já está apagada. Corro de volta para o táxi, o motorista me ajuda a colocá-la no carro e nós damos partida para o hospital mais próximo. Enquanto o motorista passava todos os outros carros eu tentava acordá-la, nada funcionava e o sangramento não parava.

— Acelera! — Esbravejo.

depois finalmente chegamos a frente ao hospital, o motorista abre a porta e eu saio com Ashley em meus

— Ajuda! — Grito por socorro.

Alguns médicos que estavam do lado de fora vêm ao meu encontro para socorrer Ashley, outro traz uma maca e nós vamos para dentro do hospital. Ela é encaminhada às pressas para a sala de parto enquanto eu sou deixado na sala de espera. Sento-me em uma cadeira por lá e uno as mãos em frente aos lábios. Ashley não podia morrer, ela seria mãe, mesmo que fosse inconsistente Candace ainda precisava dela e de Denner. Denner, pensei, ele não seria tão bom para ela.

Estico minhas costas na cadeira. Eu não podia simplesmente voar no pescoço dele se caso aparecesse por aqui, mas deixar Ashley sozinha nos últimos dias de gestação seria um bom

pulei da cadeira quando a enfermeira apareceu na sala, nem tinha me dado conta que já havia passado algum tempo.

a cesariana, o bebê está bem e fora de risco de vida. — Disse

a respiração que nem sabia

— Mas quanto a mãe?

Terá que ficar em observação, pois teve uma hemorragia. Fora isso às duas estão fora

— Obrigado. — Respondo.

— Você é pai da criança?

coração apertou, por alguns instantes eu quis assentir, porém, seria

— Não, sou amigo da paciente.

foi um herói, caso tivesse demorado mais um pouco ambas morreriam. — Ela

mais estranho que seja eu estou ouvindo bastante isso

telefonar para algum parente da

— Sim, claro.

vai embora. Olho para meu telefone, eu apagara o contato do Denner, mas as circunstâncias exigiam que eu fosse o mais maduro possível, então liguei

depois ele apareceu no hospital, eu segurei firme no braço da cadeira enquanto ele sentada de frente

— Como elas estão? — Perguntou.

— Bem, não graças a você!

as mãos em sinal