Antonela então se lembrou que Carlota não sabia da verdade: que aquele casamento com Benjamim era uma farsa. Aquela descoberta poderia ser um problema? Carlota poderia usar essa informação para chantageá-la?
Antonela se controlou para não se justificar. Seu rosto estava pálido como um papel e havia círculos escuros ao redor de seus olhos demonstrando o quanto ela havia dormido mal na noite anterior.
Antonela começou a caminhar, mesmo que Carlota permanecesse parada diante dela a observando e tirando suas próprias conclusões. Quando passando por ela ouviu sua voz chamando sua atenção mais uma vez.
— O Benjamim está aguardando no escritório dele – Antonela prendeu a respiração ao som da voz dela – você achou realmente que eu não faria nada, Antonela?
Mas Antonela não quis ficar ali para ouvi-la. Imediatamente, moveu os pés para longe, descendo as escadas e indo em direção ao escritório de Benjamim. O coração batia tão forte no peito quando ela parou em frente à porta e bateu na madeira tão bem pintada, que teve a impressão de estar segurando a respiração por tempo demais.
Ouviu passos vindo em sua direção e, quando a porta foi aberta, ela se deparou com Benjamim já vestido para ir trabalhar.
Pensando o quanto odiava o olhar gélido que ele lançou a ela, Antonela percebeu que Adam não estava com ele.
— Onde está o Adam? – ela entrou no lugar, mas o garoto não estava ali.
— O Adam está seguro – ele estava de costas para ela quando disse isso – por que se encontrou com o governador ontem à noite?
Estava aí a pergunta que Antonela tanto temia, ainda assim, sabendo que um conflito se formava entre eles, ela voltou a se preocupar com Adam. Benjamim não podia deixá-lo sozinho, sabendo que Carlota estava rondando a casa.
— Quero saber onde o Adam está – ela insistiu e o fato de mudar de assunto irritou ainda mais Benjamim – sabe que não pode deixá-lo sozinho. Eu não quero que a sua mãe se aproxime do meu filho.
— Eu já disse que ele está seguro – o tom de voz saiu alto demais, foi quase como um grito, quando ele se virou para olhá-la mais uma vez – responda de uma vez se o que a Carlota me contou é verdade. Você se encontrou com o governador?
Ela sentiu no tom de voz raivoso dele que Benjamim faria aquilo para castigá-la.
— Por que afinal me casei com você se não posso ficar perto do meu filho?
— Tínhamos um acordo e você o quebrou – o tom de voz de Benjamim voltou a ficar duro como pedra enquanto ele cerrava os dentes, demonstrando todo o seu descontentamento – não vejo motivos para cumprir minha parte. Você verá o Adam quando eu permitir.
Os olhos dela encheram-se de lágrimas. Ela estava pronta para gesticular, pedir desculpas, implorar que ele não fizesse aquilo, mas Benjamim saiu do escritório tão rápido que deixou Antonela para trás.
Ela fechou os olhos e começou a chorar. Benjamim escutou os gemidos de dor dela por um tempo e, quando não conseguiu mais suportar, pegou seus pertences e saiu da casa sem olhar para trás.
Carlota havia conseguido o que queria, instalado uma guerra entre eles, sem que eles nem percebessem.

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