Após deixar Antonela e Henrico em sua casa, Benjamim saiu novamente para levar Dominique e Carmélia na fazenda. A noite estava sendo mais longa do que ele imaginara. Sentia o corpo moído e a tensão sobre os seus músculos só piorou quando ele finalmente se viu sozinho.
Lembrou-se das palavras de Alessia afirmando que Carlota havia pagado a ela para prejudicar Antonela. Até onde Alessia iria por dinheiro? O que mais, do que apenas inventar algumas mentiras, ela conseguiria fazer por ressentimento?
Chegou em casa sabendo exatamente o que faria no dia seguinte. Desejou ardentemente, assim que entrou pela porta, subir aquelas escadas e se deitar ao lado de sua mulher para finalmente dormir.
Foi frustrado com a presença de Carlota. Ela parecia um zumbi andando pela casa àquela hora da noite. Parecia nunca descansar. Estava sempre atenta a tudo o que acontecia, como se esperasse apenas um erro para dar o bote final.
— O que o Henrico faz nessa casa? – ela parou em frente a ele, realmente disposta a tornar a noite de Benjamim ainda mais impossível.
Benjamim não daria a ela esse prazer e nem mesmo o obrigaria a dar qualquer satisfação.
— Devo lembrá-la que mora na minha casa e que eu não devo explicações à senhora?
— Sou a sua mãe, Benjamim – ela endureceu o tom de voz para tentar passar autoridade sobre ele – você tem obrigações como filho. O que você deve ao Henrico para mantê-lo aqui?
— Por ele, tenho consideração, já a senhora está aqui porque me obrigou a aceitá-la – as palavras dele foram ríspidas, fazendo seu coração doer profundamente – mas, se quer saber, mãe, porque o Henrico está aqui, ele passou mal e não pode voltar para casa. A Alessia voltou.
Foi a última informação proferida pelos lábios dele que fez Carlota paralisar de medo. Ela arregalou os olhos e seu rosto tornou-se pálido, foi como se ela se esquecesse de Henrico e da presença indigesta dele e voltasse toda a sua atenção para a volta de Alessia.
Ela ficou com o olhar perdido de repente, uma expressão preocupada que mal percebeu Benjamim a observar minuciosamente. Ela tinha quase certeza de que Alessia jamais voltaria, não depois da enorme quantia que havia oferecido a ela.
Ele beijou os lábios dela delicadamente, provando que suas palavras eram verdadeiras, mas lembrou-se do que precisaria fazer no dia seguinte. Se afastou olhando nos olhos dela, porque sabia que mal dormiria naquela noite de tanto pensar nos passos seguintes.
— Você precisa saber o que vou fazer amanhã – ele fez uma pausa, temendo a reação de Antonela – prometi que não haveria segredos entre nós dois.
A maneira como Benjamim disse aquilo assustou Antonela. O primeiro pensamento que rondou sua mente foi que Henrico não estava tão bem como ela imaginava. Tinha algo estranho no rosto de Benjamim e ela havia percebido isso ainda no hospital.
— Você está me assustando – ela disse, analisando-o.
— Amanhã, bem cedo, vou sair – ele disse, outra pausa – preciso ter uma conversa com Alessia e saber tudo o que a Carlota fez para influenciar na decisão do juiz sobre a guarda do Adam.

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