Ao ouvir a mãe dizer isso, pareceu que uma corda esticada se rompeu dentro de Maurício, e todas as emoções exteriorizadas pararam naquele instante.
Todo o quarto do hospital ficou em silêncio.
Alana olhava perplexa para o irmão e a mãe.
Ela não sabia por que a tensão era tão grande entre os dois, mas conseguia claramente sentir a preocupação e o amor pelo outro no olhar deles.
Maurício também não esperava ouvir aquela frase. Todo o ódio e ressentimento que sentia por Cecília desapareceram por completo.
— O que você disse?
Cecília voltou ao seu semblante frio. — Eu disse que você é meu filho.
Maurício parecia ter esperado por aquela frase há muito tempo, e ela finalmente a disse.
— Então por que você me tratou assim? Você me considera seu filho de verdade, mãe? Eu não entendo. Se sou seu filho, por que foi tão rígida comigo? Eu não mereço o seu amor?
Cecília não aguentou mais e cobriu o rosto com as mãos, agachando-se devagar. O ódio de tantos anos desmoronou naquele instante.
— Maurício, porque só assim eu podia me forçar a ser cruel, para fazer o Augusto receber a punição que merecia. Aos poucos, fui perdendo a razão. Toda vez que olhava para você, eu me lembrava dele, porque o seu rosto é muito parecido com o dele. Eu queria te amar, mas ao ver o seu rosto, não conseguia evitar.
Enquanto falava, Cecília começou a chorar. As lágrimas pareciam não ter fim. — Sabe o quanto eu sofria todo dia? Eu queria que você fosse mais próximo de mim e queria te aceitar, mas não podia. O seu rosto é idêntico ao dele.
Maurício jamais imaginou que esse fosse o motivo. Foi por um motivo tão absurdo que a sua própria mãe foi tão fria com ele.

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