O olhar de Beatriz endureceu, ela franziu a testa e alterou a voz. — Você está me ameaçando?
— Se for necessário, posso recorrer a alguns métodos diferentes. — A voz de Thiago estava congelante, sem o menor traço de calor.
A respiração de Beatriz travou.
Ela olhou para o homem à sua frente, a mesma pessoa que antes lhe jurara proteção para o resto da vida. Agora, estava ali, usando quem ela mais amava para ameaçá-la.
Beatriz fechou os olhos com força. Sentia como se todas as suas energias tivessem se esgotado. Muito tempo depois, ela os abriu, calmos.
— Certo, eu peço desculpas.
Thiago segurou o pulso dela, apertando ainda mais forte do que antes, com medo de que ela desistisse. — Dessa vez, não tente nenhuma gracinha.
Beatriz não disse nada e voltou com ele.
Ela observou as costas de Thiago. Aquele corpo robusto e ereto que antes lhe dava a sensação de segurança para a vida inteira, agora só lhe causava nojo.
A porta do escritório se abriu. Melissa estava sentada na cadeira de cabeça baixa. Seus ombros tremiam de leve e as lágrimas escorriam.
Ao escutar o som da porta, ela levantou a cabeça. Quando viu Beatriz, encolheu-se instintivamente contra a cadeira.
Beatriz caminhou até ela, parou na sua frente e a encarou de cima. A luz do teto descia, projetando uma sombra entre as duas.
— Desculpe. — A voz dela soou fria, sem emoção. — Eu não devia ter batido em você.
Thiago estava ao lado, com um tom de alerta na voz. — Preste atenção no seu tom.
Beatriz soltou o ar e fechou os olhos, os cílios tremendo de leve. Quando abriu, sua voz saiu baixa a ponto de esconder qualquer reação.
— Eu faço o que quiser, contando que isso te acalme.
Ela já tinha entregado os pontos. Dona Regina era o último familiar que lhe restava. Não podia deixar que ela se machucasse por causa dela. O mestre já havia partido, e ela não poderia perder Dona Regina também.
Só então a expressão de Thiago melhorou. Virou-se para Melissa, agora com a voz suave, como se fosse outra pessoa. — Melissa, pode pedir à vontade. A culpa nisso tudo é da Beatriz. Você não precisa ficar sentindo nenhum peso na consciência. Se algo acontecer, eu assumo a responsabilidade.
Beatriz ficou parada, escutando aquilo. Seu coração parecia estar sendo esmagado por uma mão gigante.
O marido dela, na sua frente, mandando outra mulher pedir o que quisesse, prometendo assumir as responsabilidades.
Ele ficou ali, achando tudo aquilo a coisa mais normal do mundo, sem notar nada de errado.
Ela sorriu de leve, mas o coração sangrava.
Beatriz calculava os dias em silêncio, imaginando quanto tempo levaria para conseguir ir embora de vez.
O tempo parecia se arrastar. Seria ótimo se esse dia chegasse logo amanhã.
Melissa finalmente levantou a cabeça, de olhos vermelhos. Olhou para Beatriz e depois para Thiago. A voz soou mansa, misturada com uma dose de tristeza.


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