Max pegou a taça:
— Está bêbada.
— Não estou bêbada! Acha que por uma pessoa ser sincera e falar a verdade não pode estar em sã consciência?
Max pegou a taça da minha mão e jogou-a longe. Ouvimos o som dela caindo na água. Levantei, aturdida e peguei a garrafa do espumante, bebendo o restante no gargalo. Quando acabei, joguei a garrafa na mesma direção em que ele atirou o copo, apontando o dedo na sua direção:
— Perdeu a sua oportunidade, “Max”!
Max levantou, atordoado:
— Por que nunca me falou antes sobre achar que eu não servia para você?
Eu ri:
— Achou que servia? Eu serei uma rainha dentro de alguns meses, Max.
Max balançou a cabeça, virando as costas em seguida:
— Você só se preocupa consigo mesma. Não é capaz de enxergar nada além do seu mundinho dourado.
— Eu me preocupo com o povo de Alpemburg, mais do que qualquer outra coisa. Faria qualquer coisa por este país.
Max virou na minha direção:
— Não, você nunca se preocupou com o povo de Alpemburg, Aimê. Só se preocupa com o que eles pensam a seu respeito. Só quer popularidade... Nada mais.
— Como se atreve?
— Foda-se você e sua vidinha idiota — gritou.
— Max, abra o outro espumante antes de ir, porra! — gritei no mesmo tom dele.
— Não! Você está bêbada!
— Não estou pedindo, Max! É... Uma ordem.
Max me encarou e seu olhos estavam tão frios que chegaram a me congelar por dentro. Mesmo arrependida da forma como estava tratando-o, não consegui evitar, como se fosse mais forte que eu.
Max voltou e abriu o espumante, enchendo a taça e me entregando:
— Esta foi a última vez que servi a princesa de Alpemburg. Me demito, Alteza. — Curvou-se de forma debochada.
— Não pode fazer isso.
— Sim, eu posso.
Joguei a garrafa longe e retirei meu vestido, sentindo o corpo arder como fogo e as bochechas parecerem queimar:
— Enquanto não assinar oficialmente sua demissão, continua sendo um serviçal da realeza. — Mordi o lábio provocantemente.
Max suspirou e veio na minha direção, furioso. Pensei que fosse me tocar, mas não, pegou o vestido e tentou colocá-lo de volta no meu corpo. Recusei-me a vesti-lo e agarrei-me nele, tentando alcançar seu pescoço, enquanto arqueava minha cabeça, contemplando-o:
— Você sempre esteve nos meus planos, Max — confessei. — Desde tempos atrás, quando ficamos amigos. Nunca me imaginei sendo rainha sem você e Odette ao meu lado.
Max deu-me um beijo leve nos lábios e abaixou o corpo levemente, abraçando-me:
— Vamos para casa, meu amor! Você realmente bebeu demais. Talvez amanhã nem lembre das coisas que falou.
— Não bebi minha consciência, Max! — Ri.
— E eu não me aproveitaria de uma garota que bebeu quase três garrafas de espumante, Alteza.


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