Alpemburg
Enquanto Odette e Max discutiam fervorosamente, trocando acusações, fechei meus olhos e deixei-me sentir todas as dores que sabia por antecedência que meu feito causaria. Tentava prestar atenção ao que diziam, mas minha mente só trazia o momento em que vi Donatello jogado no chão, com o sangue escorrendo pelo rosto e as pernas assustadoramente parecendo não pertencerem a ele, como se fossem de elástico, perdendo completamente a rigidez que as deixavam retas.
Balancei a cabeça, tentando me livrar daquilo, mas não conseguia. O carro ia em alta velocidade e os dois ainda discutiam.
— Por enquanto não há nada na internet. — Odette virou-se na minha direção, avisando.
Deitei no banco traseiro, me encolhendo feito um bebê, as lágrimas ainda tomando posse de mim, como se não fosse possível parar nunca mais.
— Faz dez minutos — Max gritou. — Queria que já estivesse tudo na mídia? Esqueceu que ela matou o homem que registrava tudo?
— Eu... O matei? — perguntei, soluçando.
Max não respondeu.
— Não a assuste! — Odette pediu, de forma delicada, depois de tantos gritos de raiva e pavor.
— Se acalma, Alteza! Precisa manter a calma. Vai dar tudo certo. — Max tocou meu braço, enquanto dirigia.
Senti os dedos dele frios na minha pele. Eu sabia que depois do que havia acontecido, nada mais daria certo. Eu estava destruída.
Assim que chegamos no castelo, Max estacionou o carro no subsolo. Eu não tinha coragem sequer de abrir a porta do automóvel. Queria ficar encolhida naquele banco para sempre.
Percebi Max abrindo a porta traseira. Ele abaixou o corpo na minha direção quando Odette puxou-o, fazendo encará-la:
— Sabe que não deveríamos ter fugido, não é mesmo? Isso só a prejudicará.
— Foi o que achei melhor fazer na hora, porra! — ele gritou, pondo as mãos na cabeça, atordoado. — Eu só quis proteger a princesa... Não pensei em nada mais. Acha mesmo que tentei prejudicá-la? Eu a amo...
— Pois não deveria! — Odette pôs o dedo indicador no peito dele. — Ela não é para você.
Max balançou a cabeça, aturdido, enquanto um sorriso triste surgiu em sua face:
— Ela deixou bem claro isso, Odette. Não se preocupe! Sou somente um simples criado de vossa Alteza. Amor não significa nada para ela... A “honra” e o “nome” vem acima de tudo.
— Ei, eu estou aqui... — aleguei, limpando as lágrimas, tentando levantar e batendo a cabeça no teto do automóvel, sem noção do espaço que havia disponível.
Assim que saí do carro, cambaleando, Max pegou-me no colo, enquanto eu via o teto girar rapidamente, tentando alcançá-lo com a mão, a fim de impedir aquele movimento que me dava enjoo.
— Ela está bêbada! — Ouvi Odette dizer.
— Não bebi um único gole do que você levou. Aimê bebeu tudo.
— Que porra aconteceu com vocês?
— E eu vou saber? Ela ficou perturbada sem motivo algum.
— Nossa amiga é um pouco complicada. — Odette pegou minha mão, fazendo-a descansar em meu próprio peito. — Me desculpe, Max... Você não tem culpa de nada. Mas estou muito preocupada. Sei que isto não ficará escondido. E temo pelo que pode acontecer com Aimê e sua família.
— Se ser uma velha rabugenta é o significado de “responsabilidade” para você, sim, eu sou. E sobre minha idade, caso não lembre, por ter bebido até o cérebro, tenho 19.
— Você é cruel comigo... Mandarei cortar a sua cabeça... — prometi, confusa.
— A cabeça a prêmio aqui é a sua, “Vossa Alteza”! — Puxou-me pelo braço, levando-me ao quarto de banho, onde abriu o chuveiro e me pôs forçada para dentro do box, empurrando-me para baixo da água gelada.
— Ai! — gritei. — Ficarei doente... Esta porra está fria!
Tentei sair, mas Odette puxou a porta do box pelo lado de fora, me impedindo:
— Só sairá daí depois de cinco minutos debaixo da água.
— Não posso... — pedi, com o corpo trêmulo de frio, completamente arrepiada.
— Aimê, você ferrou tudo, porra! — ela gritou.
Balancei a cabeça e voltei a chorar, lembrando o que havia acontecido. Estava confusa. Meu corpo parecia não responder aos estímulos cerebrais.
— Está doendo dentro de mim, acredite! Mas você precisa acordar desta bebedeira, amiga!
O semblante dela era firme e eu sabia que Odette não voltaria atrás. Olhei para água caindo abundantemente do chuveiro e entrei debaixo de uma vez, deixando molhar as costas, que para mim era a pior parte. Sabia que deveria tentar sair, mas permaneci ali, mesmo tremendo de frio.
Logo meu corpo acostumou-se à temperatura e comecei a sentir um pouco de relaxamento. Pus as mãos na parede, escorando a testa enquanto a água escorria ao longo de meu corpo, parecendo não lavar só a pele, mas também a alma.

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