— Não pode usar isto para justificar os seus problemas para o resto da vida — advertiu o pai.
A rainha Nair fez menção de levantar-se e o rei ordenou:
— Você fica! Não passará a mão na cabeça dele outra vez!
O príncipe Lucca tentou pegar a mão da mãe que estava sobre a mesa, mas ela afastou-a imediatamente, impedindo o toque do filho mais novo.
— O que está se falando sobre meu filho hoje, Richard? — o rei perguntou a seu assessor.
— O povo de País del Mar alega imaturidade do futuro rei, Majestade, bem como incapacidade e leviandade para assumir o trono.
— O que me sugere, Richard?
— Eu, Majestade? — Richard impressionou-se com a pergunta do rei.
— Sim, você, Richard. Façamos de conta que você não conhece Catriel e mora fora do castelo. Só sabe que este sujeito irresponsável é seu futuro governante. O que o faria recuperar a confiança nele?
— Que passasse segurança, senhor!
— E como seria isso, Richard?
— Um casamento e filhos — disse a rainha, suspirando.
— Não vou casar com Anna Julia. — O príncipe jogou os jornais no centro da enorme mesa, resignado.
— Richard, o jornal de Alpemburg, por favor — ordenou o rei.
Richard entregou o jornal ao rei, que jogou novamente ao filho mais velho, que vislumbrou a jovem loira na capa, sem demonstrar interesse:
— Princesa de um país distante? — Riu o príncipe, com escárnio. — Quer o que? Oferecer um baile para que eu a peça em casamento? Já vai deixar claro quantos filhos ela precisa me dar? Só para ter certeza, precisam ser filhos homens? Como se dizia na idade média mesmo? Filho varão?
— Você é o futuro rei! — gritou o rei Colton, furioso com o tom de deboche do filho.
— Eu nunca quis a porra da coroa. Dê para Lucca!
— Sabe que não é assim que funciona. Nasceu na realeza... E sabia que este seria seu futuro.
— Sabe muito bem que este não seria o meu futuro! — Catriel levantou-se, aturdido.
— Sente-se!
A voz imponente do pai o fez sentar-se novamente, amedrontado e confuso.
— Posso falar com os D’Auvergne Bretonne e sugerir um encontro entre as nossas famílias — disse a rainha.
— O país deles é muito maior que o nosso. Ela é a futura rainha — o rei explicou.
— E seríamos reis e rainhas em países diferentes, cada um governando seu povo? — Catriel debochou.
Lucca pegou o jornal:
— Ela é muito bonita... Aimê D’Auvergne Bretonne.
— Lucca interessou-se. Dê-lhe a princesa e pronto. Ele já tem até um cavalo — Catriel sugeriu.
— Você sempre tem uma sugestão divertida e engraçadinha para tudo, não é mesmo? — O rei levantou-se, balançando a cabeça. — Sua vida mudará drasticamente a partir de hoje.
— Vai me deixar de castigo? — Riu.
— A porta do quarto rosa estará fechada para você, até segunda ordem.
— E ela diria o que? Obrigada pelo convite, senhor comedor de mulheres casadas e que sai nu mostrando-se pelas diversas câmeras que existem ao longo do trajeto entre a mansão do duque e o castelo — Lucca opinou.
— Não julgue seu irmão! — A rainha apontou o dedo indicador na direção do filho.
— Eu aceito conhecer a princesa Aimê. E se preciso for, assumo um compromisso com ela — o príncipe caçula falou.
— E no que isso ajudaria seu irmão? — A rainha quis saber.
— Tiraria o foco dele, do mesmo jeito. Além do mais, não comprometeríamos Catriel, já que ele é o herdeiro do trono. Eu posso desposar a princesa e deixar País del Mar que ninguém sentirá minha falta.
— Eu sentirei! — Catriel disse imediatamente.
— Ele tem razão — a rainha concordou com Lucca. — O fato de ela vir para País del Mar já acalmará os ânimos. O povo ficará eufórico... E logo esquecerão o bumbum de Catriel e a duquesa Cappel e seu adultério.
— Que tirem as bebidas do alcance dela. E que deixem bem claro a esta mulher jamais terá acesso a um carro sem que tenha um motorista habilitado — Catriel foi enfático. — Espero que antes que ela faça esta viagem, seja presa pelo crime que cometeu.
— O homem não morreu. Teoricamente ela não cometeu um crime.
— Sim, ela cometeu um crime. Não sei como funcionam as leis na porra do país dela, mas se fosse aqui seria julgada e condenada. Eu criei esta lei, esqueceu?
— Não, ninguém esqueceu isto, Catriel! — Lucca pronunciou. — Foi a única coisa boa que fez por este país até hoje.
— E você fez o que? — a rainha perguntou, furiosa por Lucca desmerecer o filho mais velho.
— Eu estou assumindo algo para livrar a cara dele, como sempre — Lucca falou, saindo da sala de refeições sem sequer tocar no café da manhã, que não chegou a ser servido.
— Por que faz isso com ele? — Catriel questionou a mãe.
— Eu... Não fiz nada — a rainha alegou. — Ligarei para os D’Auvergne Bretonne.

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