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O Homem que Nunca Me Deixou Ir romance Capítulo 2

As luzes de neon piscavam. O vento havia perdido a força, mas a chuva continuava caindo sem trégua. Ele se aproximava a passos lentos, e a iluminação da rua revelava um rosto bonito demais e altivo demais.

Parecia algo feito para ser admirado de longe, nunca tocado.

À medida que ele avançava, aquela presença tão familiar se infiltrava nela como fios invisíveis.

Ivete jamais imaginou que, depois de dez anos de afastamento absoluto, eles voltariam a se encontrar nessas circunstâncias.

Ele irradiava uma firmeza gelada, enquanto ela, tremendo de frio, não tinha para onde escapar.

Ivete ficou paralisada, olhando fixamente para o homem. Os cabelos e os cílios de ambos já estavam molhados pela garoa.

Estevão tirou o próprio sobretudo e o colocou sobre os ombros dela. O perfume familiar e o calor do corpo dele a envolveram no mesmo instante.

Ele não disse uma palavra, mas seus olhos escuros carregavam uma profundidade indecifrável.

Os dois se encararam por um momento, até que ela desviou o olhar com frieza. Tirou o sobretudo, devolveu-o e, com as mãos enrijecidas, tentou abrir a porta do carro, mas ele a impediu ao segurá-la pelo braço.

— Ai! — Ela puxou o ar por causa da dor.

— Você está machucada? — Estevão franziu a testa e soltou seu braço, com os olhos fixos na mão manchada de sangue.

Ivete não respondeu. Apenas lançou a ele um olhar levemente avermelhado, deixando clara sua rejeição.

— Entre no meu carro. Vou te levar ao hospital. O resto fica por conta da minha equipe. — O tom dele era de ordem, sem espaço para recusa.

— Não precisa. A culpa foi minha. Quanto à indenização, basta seguirmos os procedimentos normais. — Um sorriso frio e distante surgiu no rosto pálido de Ivete. — Um contratempo tão pequeno não precisa incomodar o Sr. Belmonte.

Estevão a observava com expressão glacial.

O vento voltou a soprar com força. A via, que já estava difícil por causa do trânsito, ficou ainda mais congestionada. Agentes de trânsito chegaram rapidamente para organizar a situação, enquanto os carros atrás deles começavam a buzinar.

Um oficial uniformizado se aproximou e fez um leve aceno de cabeça:

— Desculpe, Sr. Belmonte. Chegamos um pouco tarde, mas já está tudo resolvido. O senhor já pode seguir.

O homem apenas murmurou um assentimento discreto, sem demonstrar a menor emoção.

Depois de todos esses anos, ele continuava frio do mesmo jeito.

— A senhora também está liberada — informou o oficial a Ivete.

— Certo, obrigada. — Ela assentiu, virou-se e caminhou até a porta do motorista.

Capítulo 2 1

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