Liz
— Liz, mesmo que eu não entre com ela, não posso levá-la como minha acompanhante. Você me entende? — diz.
Ele fala com todas as letras que, mesmo se ela não for sua acompanhante, eu também não poderia ser. Meus olhos enchem de lágrimas. Sinto uma dor em meu peito, me sentia uma idiota por achar que era importante em sua vida.
— Entendo...
— Por que está chorando? Você não pode entrar comigo, mas quero que vá ao evento, veja como é lá… e pode escolher a joia que quiser, que comprarei para você.
Rio amargamente. Ele acha que sou igual às mulheres com quem ele estava acostumado a sair. Um presente e estava tudo ok.
— Não quero mais falar sobre isso. Você pode ir com quem quiser, Bryan. — digo, me deitando e virando para o outro lado. Mas, se ele podia ficar com outra em público, ele que me aguarde amanhã.
— Vai dormir assim? Não quer mais conversar? Ei! — ele me puxa para olhá-lo.
— Você precisa é de um banho. Deve ter bebido todas, não é? Me deixe dormir, amanhã vou trabalhar.
— Pode ficar em casa, ir para o salão se quiser, fazer a unha, cabelo… já falei, não precisa trabalhar, Liz.
— Quero dormir, posso? — digo, brava, me cobrindo e fechando os olhos.
Ele me observa por um tempo e se levanta, entrando no banheiro. Escuto o barulho da água.
Então fico ali tentando dormir. Não queria mais falar com ele, ele já havia falado tudo.
Acordo com meu despertador tocando. Pego e desligo ainda com sono. Ele se deitou e dormiu muito rápido, talvez porque tivesse bebido muito.
Mas eu… eu fiquei rolando na cama até pegar no sono, por isso sentia esse sono todo.
Me levanto. Ele já havia saído, como sempre. Era raro acordar com ele ainda dormindo. Tomo meu banho, me visto e desço.
— Bom dia, Elisa. — digo, olhando ela que arrumava a mesa do café.
— Bom dia! O senhor saiu bem cedo, nem tomou café hoje. Deve estar com muito trabalho. — ela diz quando me sento à mesa.
— Provavelmente, já que hoje ele tem um evento muito importante. — digo amarguradamente.
Ela percebe o quanto eu estava chateada e sorri para mim.
— Antes dele sair, falou que alguém trará a sua roupa para a noite, e alguém virá te buscar.
— Tá bom. — digo sem emoção.
— Por que essa carinha, Liz? Desculpa perguntar, mas você está tão triste desde ontem… está acontecendo alguma coisa com você e o patrão?
Ela pergunta preocupada. Tinha a Elisa como da família. Nós duas sempre nos demos tão bem, mas não sabia como falar para ela o que estava acontecendo e por que me sentia tão injustiçada.
— Se não quiser falar, não precisa, tá? — ela diz, me entregando a xícara com o café.
— Elisa, sente-se… para me acompanhar no café.
— Não, senhora, imagina, já tomei.
— Faça então só companhia para mim. Só tem nós duas aqui, não é?
Ela olha para o lado e balança a cabeça, confirmando. Depois se senta à minha frente.

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