Bryan
A festa continuava. Todos bebiam e se divertiam. Meu irmão conversava com seus sogros e sua noiva. Sabia que no evento havia muitos fotógrafos e, com certeza, logo haveria várias manchetes sobre aquele dia e tudo o que acontecia ali.
Enzo continuava conversando com Nathalia Pontal. Ela foi uma das únicas com quem consegui conversar sem me irritar, sem se insinuar ou me tocar. Não conseguia nem ir ao banheiro sem ser parado por alguma garota que se apresentava e apresentava sua família, como se eu não conhecesse todos ali. Eu sabia de cada um, seus pontos fortes e, principalmente, os fracos. E, se quisesse acabar com qualquer um deles, só precisava estalar os dedos para meu assistente, penso sorrindo.
— Bryan, pelo jeito a única dessas mulheres mais sensatas é a Nathalia. Ela foi ver o que seu avô queria. As outras... tudo sem graça. Tirando a beleza, né? Já que todas são lindas de matar.
— Kkk, por que não fica com ela? Senti que você gostou dela, hein?
Ele sorri.
— Tá louco? Nunca que o avô dela vai trocar você por mim kkk — ele diz, zoando.
— Enzo, e aquela garota que você estava namorando?
— Ah, já era. Não deu certo, sabe como é, né? Kkk
— Enzo, tu foi dispensado kkk — rio dele, que fica bravo comigo.
— Sai fora... Vou ali — ele diz, saindo e me deixando sozinho com meu uísque.
Estava bebendo como nunca. As lembranças da Liz invadiam meus pensamentos. Ela nua para mim, o jeito que eu a pegava.
— Garota... O que você fez comigo? — digo para mim mesmo.
Logo uma loira se aproxima. Filha dos Getúlio, Larissa. Ela vem em minha direção com seus cabelos loiros, um vestido vermelho-sangue e aquele batom marcante.
— Então está por aqui? — ela diz, ficando à minha frente. Seu perfume doce me incomoda um pouco.
Minha bebida acaba e pego outra. Ela faz o mesmo, ficando à minha frente e me impedindo de passar.
— Oi, Larissa. Quanto tempo, né? Vejo que cresceu — digo sério, sem demonstrar nenhum interesse por ela.
— Ai, Bryan, você chegou e me ignorou, como se nem me conhecesse. Estudamos juntos, não lembra? — ela diz magoada.
— Ah, sim, lembro. Não queria ser rude — digo educadamente.
Eu estava bebendo rápido demais meus drinks quando começo a me sentir tonto, olhando para o copo como se algo estivesse errado.
— Você está bem? — ela pergunta, chegando perto e segurando meu braço.
— Creio que não — digo, me virando e indo para a área VIP, onde tinha uma sala reservada.
Entro e ela vem comigo.
— Pode ficar. Consigo me virar — digo, mas ela insiste em vir comigo.
Entro na sala sentindo um calor terrível, um mal-estar absurdo. Começo a afrouxar a gravata para aliviar, mas nada passava.
— Bryan... Bryan... — ela diz, se aproximando e me ajudando a desabotoar a camisa.
Isso me deixa aliviado, mas então lembro quem ela era e a empurro.
— Deixe que eu faço isso.
— Posso ajudá-lo. Você tá ruim — ela continua se aproximando e tentando me agarrar, me derrubando no sofá.
Suas mãos tocam meu peitoral musculoso enquanto sua boca beija meu pescoço. Aquilo estava me matando. Olho para ela e começo a ver Liz. Aquela boca, seus olhos castanhos, seus cabelos longos... Enrolo os fios entre minhas mãos, puxando de leve e a beijando.
Mas o gosto era diferente.
Não era Liz.
Aquela garota nunca poderia ser a Liz.
— Sai daqui! — grito, empurrando-a com força.
Ela tropeça e cai no chão.
— Você me machucou! — ela diz manhosa.
— Foda-se! Juro que, se eu descobrir que foram vocês que me drogaram, vou acabar com toda sua família!
Ela se ajoelha, tremendo.
— Juro que não fui eu! Não sabia que você estava drogado, eu juro! — ela diz, chorando desesperada.
— Sai daqui! — digo quase gritando.
Ela desaparece dali, e eu vou até onde estava a cama e o banheiro. Entro e começo a tirar toda a roupa com o resto das minhas forças. Entro debaixo da água gelada para aliviar o efeito da droga, que era muito forte.
Quem ousou me drogar? Quem teria essa coragem?
Só passaram três pessoas pela minha mente.
Uma delas seria meu avô, mas ele não usaria esses meios para conseguir o que quer. Os outros seriam meu pai ou meu irmão. Esses dois teriam coragem para coisas piores.
Mas, se fossem eles mesmos... mesmo sendo minha família, pagariam.
Ah, se pagariam.

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