Liz
Hoje é a inauguração da nossa loja. Geovana está muito ocupada, correndo para lá e para cá. Eu estava conferindo se tudo estava sendo arrumado certinho. Contratamos três meninas para atender: Karina, Érica, Beatriz, Tamires, Marta e Graziela. Também contratamos o segurança Robson, amigo do namorado da Geovana, e a Amanda estava nos ajudando também. Queria que tudo ficasse perfeito. O logo da loja estava perfeito: Mundo LiGi. Todo dia escutava as pessoas nas ruas curiosas para saber quem eram os donos da nova loja. Eu pedi para a Geovana deixar isso entre nós. Ali éramos só funcionárias e ninguém sabia quem era o verdadeiro dono, seria melhor assim.
— Bom dia, senhora. Já terminamos de organizar todas as prateleiras, e o Robson já instalou tudo.
— Que bom, Karina. Vai com as meninas tomar café e depois vistam os uniformes. Já já vamos abrir a loja. A equipe de marketing deve estar chegando, e o pessoal dos comes e bebes também. Hoje vamos ser um sucesso — digo feliz, olhando a imensa loja de varejos. Ali havia de tudo um pouco, a única loja grande da cidade, também um sonho realizado. Construiria uma franquia, ampliaria o nome Mundo LiGi. Logo, em todo lugar estariam falando desse nome.
— Ok, senhora, estou indo — ela diz, se retirando.
Caminho pela loja olhando cada lugar, conferindo tudo.
Com a correria da loja, acabei adiantando a ida ao médico, mas amanhã, sem falta, iria. Ainda sentia enjoos e fortes dores no abdômen.
Já tinha feito o teste da farmácia com a Geo, mas depois daquele dia pedi para ela não comentar nada com ninguém, nem mesmo com a Amanda. Tinha até medo de alguém descobrir e isso chegar aos ouvidos dele. Os Bellucci não eram nada fáceis, e naquele dia, quando ouvi a conversa do pai dele, ficou claro que eles não poderiam ter bastardos. Essas palavras me arrepiavam todinha.
Fora que eu iria precisar urgentemente me esconder, já que tinha medo de descobrirem e me obrigarem a tirar meu filho.
Ou pior, tirarem ele de mim. Isso nunca.
Por isso era melhor evitar e esperar a médica confirmar tudo para fazer em segredo. Achei melhor chamar a Geovana para ser minha parceira e deixá-la responsável. Seria mais fácil caso algum dia eu precisasse viajar, talvez voltar só quando achasse seguro. Não conhecia muito bem do que eles eram capazes.
— Liz, você está bem? — Geovana pergunta, se aproximando de mim.
— Oi, Geo, estou sim. Fiquei empolgada olhando a loja kkk — digo, disfarçando.
— Nem fala, nem estou acreditando que uma loja dessa é... — ela evita dizer, mas pensa. — Amiga, meus pais estão tão felizes por nós.
— Imagino. Você vai ver, nosso Mundo LiGi vai ser um sucesso — digo confiante.
O segurança se aproxima de nós duas.
— Senhoras, lá fora já se formou uma enorme fila. Os clientes pedem que já abram a loja.

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