Bryan
Olho para o senhor sentado à minha frente, com seus cabelos grisalhos, seus olhos abatidos por uma vida difícil, sofrida e solitária, sem ter ninguém para o acompanhar. Talvez, por causa de suas escolhas, estivesse ali naquela situação.
— Senhor Bellucci, o que eu vou lhe contar aqui talvez o deixe em choque, e o senhor não acredite.
Ele respira.
— Bom, aquele pai que lhe disse a vida toda que você é filho dele... é mentira.
— Meu pai? — pergunto, para saber se havia ouvido mesmo aquelas palavras.
— É uma longa história, senhor.
O senhor para e fica por um tempo em silêncio, talvez tentando achar as palavras para me falar.
— Senhor Zacarias, não gosto de brincadeiras. Sou justo, dei a minha palavra e eu a cumpro, mas não permito que tentem me enganar... — digo furioso, me levantando.
— Senhor Bellucci, eu juro por minha vida, pela minha família...
Quando ele fala isso, me volto e me sento, sentindo meu corpo todo gelar. Como podia ser? Meu pai, que me criou a vida toda, não ser meu pai? Minha mãe nunca o trairia. Nunca. Ela jamais faria isso.
— O senhor está insinuando que minha mãe traiu meu pai? — pergunto, frio e com ódio do que acabava de falar.
O senhor começa a balançar a cabeça, nervoso.
— Não... Nunca. Jamais a senhora teria coragem de uma coisa dessas... — o senhor diz, me deixando mais aliviado.
— Então, como isso é possível? Eu não ser um Bellucci? — pergunto furioso.
— Nunca disse que o senhor não é um Bellucci. Ao contrário, o senhor é mais legítimo que o seu próprio irmão, o Brendo.
Quando ele fala isso, fico mais perturbado, mas confuso com tudo isso.
— Então, senhor Zacarias, me explique isso direito.

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