Bryan
Hoje estava uma correria. Henrique também havia me ligado e passado tudo o que estava acontecendo por lá. Eu sabia que tinha que retornar. Alguns dos meus aliados exigiam minha presença nas reuniões. Mesmo pedindo que Kleber e Henrique controlassem tudo por lá, eles insistiam na minha presença.
Liz saiu para fazer compras com sua prima e com a irmã do Enzo, Valentina, com quem ela fez amizade. Meu avô contou tudo para minha avó, que ficou emocionada, e agora só fica me chamando de filho. Mas eu ainda precisava me sentar e contar tudo para minha mãe, Carol, e hoje seria o dia.
Caminho pelo gramado e vou para a outra mansão. Quando chego lá, vejo meu irmão sentado ao lado do Bruno e minha mãe ao seu lado. Ela me vê, se levanta feliz e vem me abraçar.
— Filho, que bom que apareceu por aqui. Por que não volta para sua casa? Seu quarto continua do mesmo jeito — ela diz.
Sorrio, olhando para Bruno, que não demonstra nenhuma reação ao me ver.
— Obrigado, mãe, mas vou ficar lá mesmo. Bom, vim aqui porque preciso conversar com a senhora. Poderíamos conversar em particular? — digo.
Ela olha para o marido e para o filho.
— Sim, claro. Vamos.
— Por que não fala aqui na nossa frente? Que segredo é esse que não podemos saber? — Brendo diz, me provocando.
— Bom, não sei se você sabe, mas o que vou falar com certeza seu pai já sabe muito bem — digo friamente.
Bruno me olha assustado, temendo o que eu poderia saber.
— Tudo bem, venha, filho — ela diz, saindo, e eu a sigo.
Vamos para o antigo escritório que costumava usar.
Quando chegamos lá, ela entra, tranca a porta e vai até a geladeira. Pega uma garrafa de vinho bem gelado e serve duas taças. Entrega uma delas para mim.
— Bom... diga? — ela pergunta, tomando um gole.
— A senhora está bebendo? — pergunto, preocupado.
— Estou com medo do que você possa me dizer. Se seu pai sabe e ainda não me contou, talvez seja algo grave — ela diz, triste.
— Mãe... — abraço-a com carinho. — Saiba que a senhora sempre será minha mãe. Obrigado por tudo o que já fez por mim.
Ela me olha emocionada.
— Meu menino... como cresceu.
— Sente-se aqui. Vamos conversar.
Ela se senta à minha frente.
— Pode dizer. Mesmo que seja algo grave, eu aguento. Bruno já fez tantas coisas que, para mim, não faz mais diferença.
— Mãe, mas dessa vez não foi culpa dele. Porém, ele escondeu isso de todos. Eu não sou seu filho legítimo.
Quando digo isso, ela se levanta sem entender.
— Como assim? Eu te carreguei por nove meses, te senti crescendo em mim, te alimentei no meu peito. Como diz que não é meu filho, Bryan?
— Mãe, se acalme. Eu disse legítimo. Fui feito em laboratório, não fui?
Ela me olha aterrorizada, lembrando-se, e balança a cabeça.

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