Bryan
Estou deitado com a Liz ao meu lado. Depois de termos feito loucuras e deixado ela cansada, meu telefone começa a tocar.
Olho para saber o número desconhecido, mas, na hora, percebo que se tratava de uma ligação estrangeira e fico curioso para saber quem teria a audácia de me ligar.
Me levanto, vestindo meu roupão. Liz me olha curiosa.
_ Preciso atender essa ligação. Já volto, querida.
Caminho para a varanda e atendo a ligação.
_ Alô, estou falando com o senhor Bellucci? — uma voz grossa, falando em inglês, diz logo que atendo.
_ Sim, é ele mesmo — digo em meu perfeito inglês, demonstrando curiosidade para saber o que esse homem queria comigo e como ele conseguiu o meu número de contato pessoal.
_ Então, estou com seus parentes aqui. Eles disseram que você vai me matar se eu fizer alguma coisa com eles — ele diz sério, e tento imaginar de quem ele estava falando. _ Fale logo, seu desgraçado! — ele grita para alguém que geme de dor.
_ Bryan, sou eu, Bruno. Me salve e salve seu irmão Brendo, eles vão nos matar.
Ele diz lamentando, enquanto o cara lá dá um soco nele, e eu escuto só o barulho.
_ Então, eles são seus parentes? Fique sabendo que eles já estão mortos — ele diz friamente. — Devem ter se envolvido com uma máfia rival nos EUA imagino.
_ O que eles fizeram? — pergunto calmamente, querendo saber se eles mereciam minha ajuda. Mesmo não querendo ajudar, só uma palavra minha soltaria os dois, mas, para isso, precisava saber o que cometeram lá.
_ Esses desgraçados merecem morrer. Eles estavam contrabandeando crianças em meu território. E sabe o quê? — o homem faz um silêncio. _ Crianças. Aqui isso é uma das leis da nossa máfia, e a punição é a morte.
Ele diz, e eu morro de ódio.
Aqueles desgraçados não têm jeito mesmo.
Mamãe, me desculpe, mas dessa vez eu não posso fazer nada pelo seu filho e pelo seu marido.
Lamento as escolhas dos dois e digo:
_ Façam o que quiserem. Eu não conheço esses dois.
Digo desligando, mas, antes de desligar, ainda ouvi os gritos e os lamentos dos dois. Eles escolheram isso para si. Já foram expulsos da máfia e, agora, pediram por essa punição.
Liz se aproxima, olhando minha mão ensanguentada. Ela me olha com raiva, pega minha mão para ver o corte.
_ Por que se machuca? Olha isso!
Diz, mostrando o machucado, e eu a puxo para meus braços.
_ Bruno e Brendo morreram. Eles fizeram algo sem perdão em território dos EUA. Mesmo podendo ajudar, eu não ajudei os dois. Você acha que sou um monstro por isso?
_ Não. Eles pediram por isso, não foi? Cada um escolhe seu destino. Não se culpe pelos erros dos outros.
Liz diz, me abraçando e me dando carinho. E o que importava era ela. Todos poderiam achar que eu era um monstro, mas ela nunca.
Ficamos ali abraçados por um bom tempo. Depois, eu levanto seu rosto para me olhar. Queria ver bem dentro dos seus olhos se ela tinha medo de mim.
_ Liz, eu não sei mais viver sem você. Mesmo que descubra que sou um monstro, jura que nunca vai me deixar?
Pergunto com o coração apertado.
_ Amor, por que está me perguntando isso? Eu te conheço. Eu sei que você não é um monstro. O que você fez e faz é sempre para ajudar as pessoas. Você já ajudou muitas pessoas, as mulheres daquele lugar, minhas amigas, e ainda ajudou elas a seguirem a vida, as crianças sequestradas. Bryan, eu sei que você faz de tudo para proteger os inocentes. Eu tenho orgulho de você, por isso te amo.
Ela me deixava sem palavras. Então eu me abaixo e roubo um beijo, beijo aqueles seus lábios macios que tanto amava.
O dia passa rápido, mas logo meu telefone começa a tocar. Vovô me liga, minha mãe, todos no mesmo momento, e já imagino por que eles estavam me ligando.

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