Bryan
Estou sentado no escritório do xeique Amyr. As negociações dependiam de hoje. Ainda não o conhecia pessoalmente, mas, pelo que soube a respeito dele, era um homem muito respeitado por todo o clã e considerado um rei pelo seu povo. Um homem que liderava tropas militares poderosas e tinha total poder no Oriente Médio. Era ele quem comandava a maior potência de lá.
Fico ali sentado, observando cada detalhe daquele escritório, com muitas obras históricas de seus antepassados. Nas paredes havia um design moderno misturado ao clássico. As paredes tinham detalhes em madeiras escuras e mármores de pedras nobres, dando charme ao escritório. As mulheres que me atenderam estavam com o corpo coberto e lenços na cabeça. Eu havia lido um pouco sobre sua cultura e, futuramente, iria trazer a Liz e as crianças para conhecer esse lindo país.
Então ele entra e, ao seu lado, um garoto de quase dezesseis anos, com o olhar igual ao de seu pai, poderoso e misterioso. Amyr entra me olhando. Ele provavelmente já devia ter se informado sobre mim. Não falava meu idioma, mas sabia que seu filho falava e talvez o tivesse trazido para nos comunicarmos.
Me levanto para cumprimentá-lo.
— Pode continuar sentado, senhor Bellucci. — Amyr diz, e logo seu filho traduz para mim, me surpreendendo com a rapidez e inteligência.
— Obrigado, senhor. — digo, e seu filho faz o mesmo, dizendo para ele em seu ouvido o que eu havia falado.
Amyr sorri, se aproxima e me estende a mão. Eu a aperto, e seu filho faz o mesmo, me cumprimentando.
— Estamos felizes em tê-lo aqui, senhor Bryan. — o garoto diz em meu idioma, com um sotaque perfeito do italiano. Até parecia mais italiano do que eu.
— Ouvimos falar muito bem do senhor e de tudo o que fez e ainda faz no comando dos Bellucci. Fico lisonjeado por querer fazer uma aliança com minha família. O único problema é que o senhor não deseja se aliar através de matrimônio, não é mesmo? Já que soube que tem três filhos, um menino e duas meninas. Uma delas poderia se casar com meu filho, Zaid.
Ele diz isso, e seu filho olha para o pai não muito satisfeito com o que havia sido falado, mas traduz toda a informação para mim. Na hora, entendo o motivo de ele não ter gostado, já que casamentos arranjados deveriam ter ficado no passado.
— Obrigado, senhor Amyr, mas eu, como pai, não posso selar o futuro dos meus filhos. Fiz um juramento de que eles decidirão o que vão fazer quando crescerem. — digo.
Seu filho me olha com admiração e traduz minhas palavras para o pai, que demonstra um pouco de decepção, mas sorri.
— Entendo, senhor Bryan. Respeito sua decisão. Então faremos do seu jeito. Selaremos um juramento de sangue, onde um defenderá o outro caso seja necessário, e faremos parcerias. Que tal assim? Um contrato. E, se algum dia nossos filhos se casarem, a parceria continuará com ainda mais força.
O filho dele traduz para mim, e ouço cada palavra dita, cada juramento feito. No fim, assinamos um contrato onde nós dois deveríamos honrar nossa palavra.
Depois de tudo, saímos. Ele me mostrou cada lugar do seu país: as lojas comerciais, seu palácio, os hotéis, as mansões e os lugares mais movimentados e povoados, com muitas pessoas circulando. Tudo muito colorido e alegre. Um país completamente diferente do meu.
O senhor Amyr era o rei daquele lugar, e seu filho um dos herdeiros, já que ele tinha outro filho mais novo e uma filha também.
Fiquei uns três dias em seu país, mas não via a hora de voltar e ver minha esposa e meus filhos. Nunca senti tanta falta deles como estava sentindo agora.

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