— Atrapalho?
Sua voz grossa ecoou pela biblioteca, fazendo Alice pular de susto.
Alice olhou para o homem parado à sua frente. Suas mãos estavam pousadas nos bolsos da calça. Ele não usava aquela túnica tradicional; estava vestido com um terno sob medida em um tom azul-escuro. Seus cabelos estavam alinhados e sua barba, bem desenhada.
Seu olhar se manteve fixo nela, intenso, deixando-a desconfortável. Alice sentiu o rosto queimar. Ele a observava como se a estivesse despindo com os olhos, e aquilo a incomodava. Ou talvez ela não soubesse dizer exatamente o que era, mas, fosse o que fosse, a deixava completamente sem jeito.
— Oi, senhorita Aline. Atrapalho? — ele perguntou novamente, em seu italiano perfeito, deixando Alice surpresa com o quanto ele falava bem seu idioma.
— Não! Desculpe. Eu estava muito focada no livro e não o vi. — Ela disse, fechando o livro que lia sobre economia financeira.
Ele a observou, tentando entender por que ela estava estranha. Não sabia explicar o motivo, mas ela estava diferente da última vez.
— O que está lendo? — perguntou, curioso. — Não sabia que gostava de ler.?
Alice ficou sem jeito, já que sua irmã odiava estudar, principalmente ler livros.
— Ah... É que eu estava entediada e vim para cá olhar o palácio. — Alice disse, sem graça, levantando-se para devolver o livro que havia pegado.
Ele olhou para o livro, identificando na hora do que se tratava, já que conhecia de cabo a rabo a biblioteca.
— Então gosta de administração?
— Um pouco, senhor. — Ela respondeu, tentando manter distância dele.
— Garota, você não acha que vai fugir do seu acordo, não é mesmo? Você assinou aquele contrato. — Ele disse em um tom ameaçador, aproximando-se dela, fazendo-a recuar até cair na poltrona.
— Mesmo que eu tenha assinado, você não pode me obrigar, não é mesmo? — Alice o provocou, testando seus limites.
— Não me teste, italianinha!
— Está me ameaçando, senhor Zaid? — ela perguntou, olhando para ele, que a encarava seriamente.
— Não queira saber.
Ele se abaixou na altura de seu ouvido, ficando bem próximo de seu pescoço, arrepiando-a pela proximidade.
Zaid permaneceu observando-a de perto, escutando sua respiração. Ele não sabia explicar, mas ela tinha algo diferente, algo que o provocava. Seu perfume também o fascinava e, talvez, aquilo fosse apenas desejo de tê-la em sua cama. Afinal, acreditava que mulheres como ela se envolviam com qualquer homem apenas por prazer, sem compromisso algum. Talvez, depois de casados, eles pudessem brincar um pouco. O contrato não precisava ser algo ruim para ambas as partes.
— Licença. — Ela disse por fim, levantando-se e passando por ele para se afastar um pouco. Estava se sentindo ofegante. Havia algo naquele príncipe que mexia com ela.
— Avise aos seus pais que vamos nos casar. Eu vou avisar os meus. — Ele disse, vendo-a ir até a prateleira para devolver o livro que ainda segurava nas mãos.
— Por que quer se casar comigo? Com certeza sua lista de pretendentes deve ser enorme. — Ela perguntou, brava.

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