Alice acaba pegando no sono e não vê a mensagem que Zaid havia enviado.
"Não tenho todo o tempo do mundo. Amanhã eu mesmo irei de manhã e ligaremos para seus pais."
O dia amanheceu, e Alice acordou ainda cansada. Os problemas em que sua irmã a havia colocado estavam lhe causando muito estresse. Desde o dia em que pisou naquele país, não teve um único momento em que conseguisse aproveitar a viagem sem pensar naquele casamento.
Ela se levanta, faz suas necessidades e escolhe uma das roupas que ainda tinha para usar. Precisava, com urgência, comprar roupas novas, e seria exatamente isso que faria. Naquele dia sairia do palácio e iria à cidade comprar roupas e tudo o que precisava.
Então ela se arruma, colocando um conjuntinho de alfaiataria claro. Prende os cabelos em um rabo de cavalo. Precisava comprar um lenço com urgência para cobri-los, já que sabia que eles chamavam muita atenção por serem loiros.
Coloca um óculos escuro, escondendo também seus olhos esverdeados. A última coisa que queria ali era chamar atenção.
Uma das empregadas aparece e diz que o café já estava pronto. Mesmo elas falando em árabe, Alice já estava pesquisando algumas palavras e conseguia identificar algumas coisas. Ela sempre foi muito inteligente para aprender idiomas e agora resolveu aprender a falar árabe, já que ficaria ali durante um ano. Talvez isso fosse até bom para seus estudos. Poderia começar por ali. Ia abrir uma empresa naquele lugar, por que não? Aproveitaria aquela situação para aprender mais sobre os negócios.
Ela pega o celular, que estava no silencioso, e o guarda sem ver as mensagens. Hoje queria tomar seu café tranquilamente em algum lugar calmo.
Alice já estava sentada em um dos restaurantes do centro, tomando seu café. Via alguns clientes a olhando, curiosos por vê-la ali sozinha. Sabia que sua aparência chamava atenção deles e, por isso, naquele mesmo dia compraria roupas mais adequadas e lenços para ficar mais discreta. Ela nunca gostou de chamar atenção; isso era algo que odiava.
Alice estava tão distraída observando tudo enquanto tomava seu café que não percebeu uma presença imponente se aproximando. Se ela gostava de ser discreta, isso seria quase impossível naquele momento, já que todos sabiam muito bem quem havia acabado de entrar. Ele caminhava com passos firmes diretamente até ela, parando à sua frente.
— Já falei, não quero mais nada. — Ela diz em um árabe improvisado, mas que, para alguém que não falava o idioma, já estava muito bom.
— Tem certeza mesmo? — Ele diz com uma voz grossa.
Ao ouvir aquela voz, Alice se surpreende e o encara imediatamente. Seus olhos se encontram, e ela fica envergonhada por ele ter ouvido seu árabe improvisado.
— O que faz aqui?
— O que faço aqui? — Ele diz, rindo dela. — Pelo jeito, a senhorita ainda não olhou as mensagens.
— Mensagens? — Ela pergunta, pegando o celular e abrindo para ver.
Lá estavam as mensagens dele dizendo que iria naquele dia falar com os pais dela. Até ligações perdidas de Zaid havia.
— Por que insiste em não me deixar um dia em paz? — ela pergunta, brava.
— Por que eu deixaria? Precisamos falar com eles hoje. Quero me casar em um mês. Quanto mais rápido, melhor, senhorita. — Ele diz, irritado, puxando a cadeira e se sentando ao lado dela.
Alice fica desconcertada, tímida com aquela aproximação. Ele era alguém poderoso naquele país, alguém que conseguia intimidar qualquer um. Seus olhos permaneciam fixos nos dela, enquanto ela tentava se manter calma, respirando com dificuldade e procurando as palavras certas para responder.
— Como vou falar assim para meus pais? Eles nunca acreditarão que vim ao país e já me apaixonei cegamente para me casar, senhor Zaid. — Ela explica.
— Diga apenas que vai se casar comigo e pronto, senhorita. O resto resolvemos depois.

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